
O Congresso dos Estados Unidos aprovou um dispositivo que determina uma investigação formal sobre a presença e a influência da China no agronegócio brasileiro. A medida está no Intelligence Authorization Act de 2026, lei que orienta as prioridades das agências de inteligência americanas. Pela primeira vez, o Brasil entra de forma direta nesse tipo de legislação estratégica dos EUA.
O texto obriga a comunidade de inteligência americana a avaliar o tamanho e o objetivo dos investimentos chineses no agro nacional. A análise inclui terras, infraestrutura, energia, joint ventures e o grau de envolvimento do governo de Pequim, inclusive se o presidente Xi Jinping atua pessoalmente nas negociações com líderes brasileiros. O foco declarado é entender impactos na cadeia global de alimentos e na segurança alimentar.
A iniciativa partiu do senador republicano Tom Cotton, do Arkansas, e foi incorporada ao orçamento de Defesa dos EUA. O relatório deve ser entregue ao Congresso em até 90 dias após a lei entrar em vigor. Embora seja público, pode conter anexos sigilosos. Em Washington, o movimento reflete a preocupação com a crescente dependência chinesa da soja e da carne produzidas no Brasil, hoje, a China absorve a maior parte dessas exportações.
O gesto aumenta a pressão diplomática sobre Brasília em um momento já delicado. EUA e Brasil vivem atritos comerciais e políticos, enquanto o governo Lula aprofunda laços com Pequim. Ao colocar o agronegócio brasileiro no tabuleiro da rivalidade entre as duas potências, Washington deixa claro: comida também é poder e o Brasil virou peça central desse jogo.
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