
Apesar do nome, o peru não tem qualquer ligação com o país sul-americano. A ave não é típica do Peru, não ocupa lugar central na culinária local e nem sequer é nativa da América do Sul. A confusão vem de longe e envolve erros de navegação, suposições apressadas e muita desinformação dos europeus durante a expansão marítima.
Em português, o animal recebeu esse nome porque os portugueses acreditavam que ele vinha do vice-reino do Peru, território espanhol que ficava além do Brasil colonial. A ideia era simples: se vinha “lá de cima”, só podia ser do Peru. O erro pegou, o nome se espalhou e acabou oficializado no idioma, mesmo sem qualquer base real.
Os ingleses também erraram, talvez ainda mais feio. Em inglês, o peru se chama turkey porque, na Inglaterra, acreditava-se que a ave vinha da Turquia. Isso aconteceu porque comerciantes turcos introduziram o animal no mercado europeu, levando os ingleses a associar a origem ao país errado. Antes disso, o peru chegou a ser chamado de “galo da Turquia”, numa confusão adicional com a galinha-d’angola, de origem africana.
A realidade é bem mais simples: o peru é originário da América do Norte e foi domesticado por povos indígenas da região do atual México, especialmente os astecas. Mais tarde, indígenas norte-americanos apresentaram a ave aos colonos ingleses, o que acabou dando origem à tradicional ceia do Dia de Ação de Graças. Ou seja, o peru virou símbolo nacional nos EUA, ganhou nomes errados na Europa e até hoje carrega uma identidade geográfica que nunca foi sua.
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