
O salário dos juízes na Venezuela é símbolo da crise do Judiciário no país. De acordo com relatos, em 2020, um magistrado ganhava apenas 30 dólares mensais, valor que, na época, já gerava preocupação sobre a possibilidade de corrupção e fragilização da independência judicial. Hoje, em 2026, esse valor subiu para cerca de 100 dólares, o equivalente a aproximadamente 550 reais, mas ainda assim está longe de oferecer condições dignas de trabalho.
A precariedade salarial contribui para decisões influenciadas pelo poder político, especialmente em casos de relevância nacional ou sensíveis ao governo. Um relatório da ONU destacou que magistrados do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) mantêm controle sobre tribunais inferiores e frequentemente aguardam instruções antes de proferir sentenças, por medo de represálias ou demissões. Esse contexto fortalece a percepção de um sistema judicial altamente vulnerável à pressão política.
A situação leva alguns profissionais a buscar alternativas fora do país. É o caso do ex-juiz federal Oswaldo José Ponce Pérez, que atuava em Caracas e abandonou a Venezuela após enfrentar ameaças devido a decisões que contrariaram interesses do Executivo. Ele tocava harpa nas ruas de Boa Vista para se sustentar, hoje trabalha como advogado e retomou sua carreira jurídica no Brasil.
Apesar do aumento para 100 dólares, o valor ainda é insuficiente frente à inflação e ao custo de vida da Venezuela, deixando claro que a remuneração dos magistrados continua sendo um problema sério, impactando não apenas a independência do Judiciário, mas também a estabilidade social e a confiança da população no sistema de justiça.
MICROBIOMA Homem de Gelo morreu há 5.300 anos, mas seus micróbios continuam vivos
SERIEDADE! CIA e FBI: apenas ficção?
CURIOSIDADE Estudo revela que pulsos humanos ainda carregam marcas da evolução dos primatas; entenda Mín. 23° Máx. 32°