
A recorrência de declarações desconectadas da realidade, feitas com serenidade e convicção por lideranças da esquerda brasileira, deixou de ser apenas um problema retórico. Tornou-se um fenômeno político, psicológico e comunicacional que desafia o senso comum, a lógica factual e, sobretudo, a inteligência do eleitor. Não se trata mais de divergência ideológica saudável, mas de uma insistência quase metódica em narrativas que colidem frontalmente com dados objetivos, sem que isso gere constrangimento público ou autocrítica interna.
O exemplo mais emblemático vem do próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que já afirmou, sem qualquer hesitação, que “o traficante é vítima do usuário de drogas”. A frase, por si só, inverte completamente a lógica da criminalidade organizada, ignora o papel ativo das facções no terror imposto às periferias e relativiza a responsabilidade individual de quem lucra com violência, morte e destruição de famílias. Ainda mais grave é o silêncio da chamada imprensa militante, que em outras circunstâncias se mostraria implacável, mas aqui optou pela omissão cúmplice.
Esse padrão se repete em escala regional. O senador e ministro Wellington Dias declarou recentemente que “os Estados Unidos são o país onde mais cresceu a pobreza no mundo, enquanto no Brasil ela melhora”. A afirmação, feita sem contextualização, sem série histórica comparável e sem referência a indicadores internacionais confiáveis, soa mais como propaganda do que como análise séria. Mesmo que houvesse aumento pontual da pobreza em território norte-americano, seria consequência de quais políticas, de quais governos, de quais conjunturas globais? Essas perguntas simplesmente não são feitas por quem afirma, nem por quem deveria questionar.
O que chama atenção não é apenas o erro factual ou a generalização grosseira, mas a tranquilidade com que tais declarações são proferidas. Não há hesitação, não há dúvida, não há medo de contestação. Fala-se como quem detém uma verdade moral superior, blindada contra fatos, números e evidências empíricas. Esse comportamento recorrente levanta uma questão incômoda: estamos diante de mera estratégia política, de desinformação deliberada, de cinismo ideológico ou de algo mais profundo?
É nesse ponto que entra o pensamento do psiquiatra norte-americano Lyle H. Rossiter, autor do livro A Mente Esquerdista: As Causas Psicológicas da Loucura Política. Com formação pela Universidade de Chicago e vasta experiência como psiquiatra forense, atuando para tribunais, órgãos públicos e advogados em milhares de casos civis e criminais, Rossiter não fala como panfletário, mas como clínico acostumado a identificar padrões mentais, mecanismos de defesa e distorções cognitivas.
Na obra, Rossiter sustenta que o esquerdismo, mais do que uma ideologia política, opera como uma patologia psicológica coletiva, marcada por traços como negação da realidade, externalização de culpa, pensamento mágico, vitimismo crônico e hostilidade à responsabilidade individual. Importante frisar: trata-se da interpretação do autor, não de um consenso científico. Ainda assim, sua análise provoca justamente por encontrar eco no comportamento observado em líderes e militantes que parecem imunes à lógica e à autocrítica.
Segundo Rossiter, o esquerdismo se alimenta de uma ruptura deliberada entre causa e efeito. Problemas sociais complexos são reduzidos a narrativas simplistas, onde o “sistema”, o “capitalismo” ou o “outro” abstrato são sempre culpados, enquanto indivíduos e governos alinhados à ideologia jamais o são. Isso explicaria por que traficantes viram “vítimas”, criminosos são tratados como “excluídos sociais” e Estados autoritários são relativizados quando se declaram de esquerda.
O autor também enfatiza a relação entre natureza humana e liberdade. Para ele, os fundadores dos Estados Unidos compreenderam que a liberdade só floresce onde há ordem, responsabilidade e limites morais claros. O esquerdismo, ao contrário, promoveria ataques contínuos a esses pilares, corroendo instituições, relativizando leis e substituindo princípios universais por conveniências ideológicas. O resultado seria um ambiente político onde a mentira deixa de ser exceção e passa a ser ferramenta cotidiana.
Aplicada ao Brasil, essa leitura ajuda a entender por que discursos flagrantemente inconsistentes não apenas sobrevivem, mas prosperam. Há um ecossistema político, acadêmico e midiático que normaliza o absurdo, protege seus porta-vozes e desqualifica qualquer crítica como “ódio”, “fascismo” ou “desinformação”. Nesse ambiente, não é necessário convencer pela razão; basta reafirmar a narrativa correta para o grupo certo.
O problema é que a realidade insiste em bater à porta. A violência cresce, o crime organizado se fortalece, a pobreza não desaparece por decreto retórico e o eleitor começa a perceber a distância entre discurso e vida real. Quando líderes falam absurdos com convicção e ninguém os contesta, o dano não é apenas político, é moral e institucional.
No fim, a questão central permanece: essas declarações são fruto de ignorância, má-fé, estratégia eleitoral ou de uma visão de mundo profundamente distorcida? Rossiter oferece uma resposta dura e controversa, ao classificar o esquerdismo como doença mental. Concorde-se ou não com essa tese, uma coisa é inegável: o comportamento errático, a indiferença aos fatos e a naturalização da mentira já não podem ser tratados como meras “opiniões divergentes”. Eles moldam políticas públicas, influenciam milhões de pessoas e cobram um preço alto da sociedade. Ignorar isso talvez seja, aí sim, o maior sinal de insanidade coletiva.
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