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Polícia CRIME MISTERIOSO

Execução no silêncio: empresário do ouro é encontrado morto dentro de casa em Teresina

Morte de Edivan Francisco de Moraes, com tiros na cabeça e sem sinais de roubo, levanta suspeitas de crime direcionado, acerto de contas e execução planejada na zona Norte da capital

04/01/2026 às 19h19
Por: Douglas Ferreira
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Edivan estava desaparecido e foi encontrado morto em casa - Foto: Reprodução
Edivan estava desaparecido e foi encontrado morto em casa - Foto: Reprodução

Mistério na morte do empresário do ouro: execução silenciosa em Teresina levanta mais perguntas que respostas

A morte do empresário Edivan Francisco de Moraes, encontrado sem vida dentro da própria residência no bairro Jacinta Andrade, zona Norte de Teresina, não é apenas mais um registro policial. É um caso que grita. Grita pela forma, pelo contexto e, sobretudo, pelas lacunas que ainda cercam um crime com aparência de execução cirúrgica. Quando o silêncio fala mais alto que o barulho de um tiro, algo está fora do lugar.

Edivan, conhecido por atuar no ramo de compra e venda de ouro, foi achado morto no sofá de casa, com marcas de disparos de arma de fogo na cabeça e um pano cobrindo o rosto. Um detalhe perturbador, quase simbólico, como se alguém tivesse querido não apenas matar, mas encerrar definitivamente qualquer possibilidade de reação, socorro ou testemunho. O corpo foi encontrado na tarde deste domingo (04) pela própria filha, após horas de angústia e ausência de contato.

O empresário estava desaparecido desde o sábado (03), quando saiu da cidade de Lagoa Alegre com destino à capital. Não voltou. Não respondeu mensagens. Não atendeu ligações. Para quem lida diariamente com valores altos e negociações sensíveis, o silêncio costuma ser um péssimo sinal. E, neste caso, foi fatal.

A cena do crime reforça o enigma. Nada foi revirado, nenhum objeto de valor foi levado da residência, tampouco o ouro que Edivan comercializava. Isso praticamente descarta, ao menos por ora, a hipótese clássica de latrocínio. Em crimes patrimoniais, o roubo costuma ser o objetivo. Aqui, o alvo parece ter sido exclusivamente a vítima.

O único item levado foi a caminhonete do empresário, posteriormente localizada abandonada em frente a uma empresa de leilões no bairro Pedra Mole, também na zona Norte de Teresina. O veículo foi encontrado graças ao sistema de rastreamento. Um deslocamento curto, estratégico e, novamente, calculado. Quem fez isso sabia o que estava fazendo. E sabia onde estava pisando.

Assalto mal-sucedido? Pouco provável. Queima de arquivo? Acerto de contas? Execução encomendada? O modus operandi aponta para um crime direcionado, sem improviso, sem pressa, sem sinais de luta. A violência foi objetiva, letal e precisa. Não houve excesso, apenas o suficiente para garantir o desfecho.

A Polícia Civil do Piauí investiga o caso, mas até o momento mantém cautela. Não há suspeitos oficialmente identificados, nem motivação confirmada. As autoridades trabalham com análise da rotina da vítima, seus últimos contatos, deslocamentos, atividades comerciais e possíveis conflitos. No mundo do ouro, onde cifras não deixam rastros visíveis e interesses se cruzam longe da luz pública, cada detalhe importa.

O caso Edivan Moraes expõe mais do que um homicídio: revela a face obscura de crimes que acontecem dentro de casa, sem arrombamento, sem testemunhas e sem explicações imediatas. Um crime que não parece fruto do acaso, mas de decisão. Planejada. Executada. E, por enquanto, impune.

Enquanto a cidade segue sua rotina, uma família enterra um pai, e a polícia tenta remontar um quebra-cabeça em que as peças parecem ter sido propositalmente escondidas. A pergunta que ecoa na zona Norte de Teresina é simples e perturbadora: quem matou Edivan Moraes - e por quê?

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