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Amazônia em chamas: Seca e incêndios forçam população a abandonar suas casas em ieio ao 'Inferno' de fogo e fumaça

população da região, especialmente nos Estados do Amazonas, Pará e Rondônia, está sendo forçada a fugir de suas casas em busca de segurança, enquanto o fogo avança vorazmente, consumindo tudo em seu caminho

11/09/2024 às 15h53 Atualizada em 11/09/2024 às 18h55
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações O Globo
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Fogo toma conta de área às margens da BR-163, no Pará — Foto: Cristiano Mariz
Fogo toma conta de área às margens da BR-163, no Pará — Foto: Cristiano Mariz

A Amazônia vive um pesadelo sem precedentes. Incêndios descontrolados, seca extrema e a densa fumaça transformaram a vida de milhares de moradores em um verdadeiro inferno. A população da região, especialmente nos Estados do Amazonas, Pará e Rondônia, está sendo forçada a fugir de suas casas em busca de segurança, enquanto o fogo avança vorazmente, consumindo tudo em seu caminho. Este ano, o número de focos de incêndio na Amazônia dobrou em relação ao ano anterior, levando a devastação ambiental a níveis alarmantes.

Fuga desesperada: a vida nas margens da BR-163

A reportagem de Eduardo Gonçalves, acompanhada pelas impactantes fotografias de Cristiano Mariz, de O Globo, revela o drama vivido por famílias que lutam para salvar suas casas em meio ao caos. Em Trairão/PA, às margens da BR 163, uma família abandonou sua residência às pressas, na tentativa de conter o fogo que se aproximava perigosamente. Usando baldes, uma mangueira e um trator, vizinhos e moradores improvisaram uma resistência ao fogo, que se espalhava pela vegetação seca.

As imagens são aterrorizantes: a Floresta Jamanxim, uma das áreas mais afetadas, arde em chamas, enquanto a fumaça encobre o céu, provocando ardência nos olhos e dificultando a respiração. O cenário de destruição inclui castanheiras queimadas, araras e papagaios fugindo do calor, e bois se amontoando em rodovias para escapar do fogo.

A expansão das queimadas e a luta contra o tempo

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o município de São Félix do Xingu (PA) lidera o ranking de focos de calor, com quase 5 mil pontos de incêndio. A seca severa deste ano, a pior desde os anos 1980, e a prática de queimadas para preparar o solo agravam ainda mais a situação. Em Itaituba/PA, o fogo atingiu a Transgarimpeira, colocando em risco fazendas, madeireiras e até pequenos aeroportos usados por garimpeiros.

Os esforços de combate ao fogo são insuficientes. Em Novo Progresso/PA, conhecido pelo "Dia do Fogo" em 2019, a situação é ainda mais crítica. A cidade enfrenta a pior seca de sua história, e a brigada de bombeiros mais próxima está a 400 quilômetros de distância. Caminhões-pipa tentam conter as chamas, mas o acesso às áreas afetadas é extremamente difícil.

A inação governamental e o clamor por soluções

Enquanto as chamas consomem a Amazônia e transformam a vida de seus habitantes em um inferno, o governo federal parece incapaz de oferecer respostas à altura da crise. Apesar da gravidade da situação, o foco de ações do governo tem sido voltado para fora das fronteiras, com brigadistas enviados para ajudar no controle de incêndios na Bolívia, deixando a população amazônica à mercê da destruição. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem enfrentado dificuldades para conter os incêndios, enquanto moradores questionam a ausência de planos de ação efetivos por parte do Ministério do Meio Ambiente.

Com a Amazônia em chamas e a vida em colapso, a população da região enfrenta o dilema de permanecer em suas terras devastadas ou seguir a triste trajetória do êxodo, em busca de um refúgio longe das labaredas e da fumaça sufocante. As fotos e relatos capturam não só a dimensão da tragédia, mas também a urgência de uma resposta imediata para salvar o que resta da floresta e das vidas que dela dependem.

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