
A peste negra parece coisa de livro de história, mas não é só isso. Ela foi uma das maiores tragédias sanitárias já registradas e ainda circula pelo mundo, em menor escala. Muita gente nem imagina, mas o microrganismo responsável continua por aí na natureza.
A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida principalmente por pulgas de roedores. No século XIV, ela se espalhou pela Europa, Ásia e norte da África e fez um estrago gigantesco: estima-se que tenha matado entre 75 e 200 milhões de pessoas. Em alguns lugares, praticamente um terço da população sumiu em poucas décadas. Foi um choque tão grande que mexeu com a economia, a religião e até com a forma de as pessoas viverem em sociedade.
E hoje? Ela não desapareceu. Ainda surgem casos todos os anos, geralmente em áreas rurais. Há registros principalmente em Madagascar e países da África Oriental, em regiões da Ásia (como Mongólia e partes da China), e também casos isolados no sudoeste dos Estados Unidos. Nas Américas do Sul e Central, aparecem episódios esporádicos ligados a contato com animais silvestres. Nada parecido com a Idade Média, claro — mas ela segue ativa.
Depois de 2 a 3 dias de incubação da doença, aparecem os “bubões”, o tumor inflamatório dos gânglios linfáticos e que deu nome de bubônica à peste. O bubão de coloração vermelho escura pode chegar a 10 cm. É muito doloroso e geralmente se rompe drenando um material purulento. Podem ocorrer hemorragias e necrose - Imagem: Iluminura francesa, séc. XVI.
A boa notícia é gigantesca: hoje existe tratamento eficaz. Com diagnóstico rápido, antibióticos conseguem controlar a infecção e a pessoa se recupera bem. O ponto crítico é não demorar para procurar atendimento quando há sintomas suspeitos após contato de risco. Sem cuidados médicos, a doença pode ser grave — mas com intervenção correta, o cenário muda totalmente em comparação ao passado.
Em resumo: a peste negra marcou a história com números assustadores, mas deixou outra lição importante — ciência e saúde pública fazem a diferença. Ela existe até hoje, sim, porém agora não é mais uma sentença, desde que identificada e tratada a tempo.
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