
A liderança política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está visivelmente enfraquecida, e seu governo enfrenta avaliação negativa consistente. Ainda assim, ninguém está politicamente morto. Nem Lula, nem a esquerda. O pulso ainda pulsa, e a disposição para a sobrevivência eleitoral permanece intacta.
A oposição erra ao tratar 2026 como fava contada. O mesmo vale para o campo governista, que, apesar das dificuldades, acredita que a fragmentação da direita lhe garante vantagem estrutural. A política brasileira segue sendo um jogo de resistência, não de nocaute rápido.
Os números da Paraná Pesquisas confirmam um dado objetivo: Lula lidera todos os cenários de primeiro turno. No levantamento realizado entre 18 e 22 de dezembro de 2025, com 2.038 entrevistados em 163 municípios, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e 95% de nível de confiança, o petista aparece com 37,6% das intenções de voto contra 27,8% de Flávio Bolsonaro.
Em um cenário com Jair Bolsonaro, Lula marca 36,9%, contra 31,3% do ex-presidente. Já diante de Michelle Bolsonaro, a vantagem é ainda maior: 37,2% a 24,4%. Os dados mostram que, isoladamente, Lula mantém vantagem confortável no primeiro turno.
Isso ocorre porque a esquerda aposta todas as fichas em um único nome, enquanto o campo oposicionista se divide entre várias lideranças competitivas, como Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Ratinho Júnior, Tarcísio de Freitas e o próprio Flávio Bolsonaro.
É justamente aí que o bicho pega. A pesquisa não afirma que Lula vence a eleição, apenas que chega ao segundo turno. E quando o levantamento avança para essa etapa, o cenário muda drasticamente: Lula aparece tecnicamente empatado com quase todos os nomes da direita, ficando à frente apenas da senadora Tereza Cristina.
O desgaste do governo pesa. Promessas não entregues, dificuldades econômicas persistentes, sensação de insegurança e falas controversas do presidente alimentam uma rejeição elevada. E, segundo os próprios levantamentos, Lula lidera também o ranking de rejeição, um fator decisivo em disputas de segundo turno.
No segundo turno, a lógica é implacável. Enquanto Lula enfrenta seus adversários sempre de forma isolada, a direita tende a se unificar em torno de um único nome. É nesse ponto que a matemática eleitoral se impõe: a soma das forças conservadoras transforma a vantagem inicial do petista em fragilidade estrutural.
Embora Lula apresente boa performance contra cada adversário individualmente, a convergência dos nomes da direita no segundo turno cria um cenário inevitável e avassalador para o petista. A rejeição acumulada, o desgaste do governo e a fadiga do lulismo tornam praticamente impossível resistir a uma frente ampla oposicionista. Isolado, Lula lidera. Unificada, a oposição vence. É a velha regra da política brasileira: quem chega dividido perde, quem chega junto leva.
O cenário de 2026, portanto, permanece aberto apenas na aparência. Lula lidera no primeiro turno, mas entra no segundo cercado, cansado e sem margem para erro. A eleição não será decidida por narrativas, mas por rejeição, alianças e resistência até o último voto.
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