
O baque sofrido pelo SBT com a queda sensível de audiência e a recepção fria ao lançamento do SBT News obrigou a emissora a fazer aquilo que não fez no início: reavaliar a própria estratégia editorial. O projeto nasceu ambicioso, mas carregando um erro básico de concepção, apostar quase exclusivamente em nomes identificados com a esquerda num país profundamente polarizado.
A estreia frustrada do canal evidenciou rapidamente o desgaste. O público tradicional do SBT, historicamente mais popular e conservador, não se reconheceu na nova programação. O resultado foi imediato: críticas em massa nas redes sociais e números de audiência aquém do esperado. O sinal de alerta soou alto nos corredores da Anhanguera.
Foi nesse contexto que a emissora decidiu buscar um antídoto editorial. A contratação do analista político Caio Coppolla surge como uma tentativa clara de neutralizar a imagem de emissora esquerdista que passou a colar no SBT desde o lançamento do canal de notícias.
Coppolla não é um nome qualquer. Com passagem pela Jovem Pan e pela CNN Brasil, ele construiu reputação como voz firme do conservadorismo, com grande penetração entre a direita, conservadores e o eleitorado bolsonarista. Seus mais de 6 milhões de seguidores nas redes sociais pesaram na decisão.
A pergunta que fica é inevitável: por que o SBT não pensou nisso desde o lançamento? Por que só reagiu depois da avalanche de críticas e da queda no Ibope? A resposta parece simples e desconfortável: subestimou o público e superestimou a aceitação de um jornalismo percebido como militante.
A escolha inicial de nomes como Amanda Klein e Basília Rodrigues, profissionais reconhecidas, mas frequentemente associadas a posições progressistas, reforçou a percepção de desequilíbrio ideológico logo na largada. Para um canal que buscava credibilidade ampla, foi um erro estratégico evidente.
A chegada de Coppolla, com o Boletim Coppolla exibido diariamente no Jornal do SBT News e aos sábados no SBT Brasil, é uma tentativa de correção de rota. Mas uma contratação isolada não garante equilíbrio editorial. Se o restante da programação continuar seguindo a mesma lógica, o gesto corre o risco de soar apenas como maquiagem.
O desafio do SBT agora é maior do que recuperar audiência. Trata-se de reconstruir confiança com um público que se sentiu ignorado. Em tempos de polarização extrema, neutralidade não é ausência de opinião, mas pluralidade real de vozes.
Se Coppolla será suficiente para virar o jogo, só o tempo dirá. O que já ficou claro é que o SBT aprendeu, talvez tarde, que televisão aberta não se faz contra o público, mas com ele.
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