
A soja já começou a brotar na fazenda de Paulo Roberto Schwengber, em Leopoldo de Bulhões (GO), mas a colheita vai ficar para abril de 2026, dois meses além do previsto. Um forte temporal de granizo destruiu 230 hectares da lavoura, obrigando o produtor a replantar a área. “Ou você assume o prejuízo ou tenta diminuir o baque. Replantar foi a única saída”, resume Schwengber. O episódio virou exemplo de um problema maior: o clima desregulado que tem afetado produtores em várias regiões do país.
Em Iporá, também em Goiás, o problema foi o oposto: falta de chuva. A situação ficou tão crítica que o município decretou calamidade pública. Em outras áreas produtoras, setembro e outubro, meses ideais para o plantio da soja, passaram quase em branco, sem precipitação suficiente. O resultado foi o adiamento da semeadura, em alguns casos até dezembro, algo fora do padrão histórico da cultura.
Os números mostram o tamanho do atraso. Dados da Conab indicam que 92% das áreas foram semeadas em Goiás, 69% no Rio Grande do Sul e apenas 38% no Maranhão. Produtores relatam um cenário instável, com chuvas mal distribuídas. “Chove em um lugar e não chove no outro. Onde cai água, o pessoal corre para plantar”, diz o agricultor Anderson Sandri. Essa irregularidade também acende um alerta para o milho, cuja produção em 2026 deve ficar abaixo do recorde alcançado em 2025, em um momento em que a demanda segue em alta.
Apesar dos tropeços climáticos, a safra brasileira continua grande. A estimativa atual aponta para 354 milhões de toneladas de grãos, apenas 400 mil toneladas abaixo da previsão feita em novembro. Segundo a Conab, a safra 2025/2026 tende a ser positiva, puxada pelo aumento da área plantada. “Mesmo com problemas pontuais, o Brasil deve ter mais uma grande safra agrícola”, afirma o presidente da companhia, Edegar Pretto. No campo, o clima atrapalhou, mas não derrubou o tamanho da colheita.
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