
Se existe um produto verdadeiramente “Made in Latin America”, não é o café colombiano nem o tango argentino. É o modus operandi da esquerda bolivariana, essa usina de narrativas revolucionárias que promete justiça social com a mesma desenvoltura com que entrega inflação, aparelhamento e escândalos criminais. E, claro, tudo embalado com aquele perfume inconfundível de corrupção, que já virou marca registrada, quase um patrimônio imaterial do continente.
A fórmula é simples, quase uma receita de bolo:
Prometa o paraíso.
Culpe o capitalismo por tudo.
Tome o poder.
Se der certo, vire ditador no estilo Fidel, Ortega ou Maduro.
Se der errado, vire réu, como Cristina, Humala, Evo, Correa, Arce e companhia laranja.
Uma raríssima exceção é a ex-líder chilena Michelle Bachelet, e, antes dela, o lendário José Alberto ‘Pepe’ Mujica Cordano, do Uruguai.
Se há um nome capaz de constranger, por contraste, os ditadores bolivarianos e os cleptocratas de esquerda, esse nome é José ‘Pepe’ Mujica.
O velho guerrilheiro que virou presidente viveu como poucos políticos tiveram coragem de viver: numa casinha simples, dirigindo um Fusca azul e doando quase todo o salário, enquanto vizinhos ideológicos torravam dinheiro público em mansões, aviões, hotéis de luxo e obras faraônicas que nunca terminam.
Mujica, socialista sem ostentação, mostrou que é possível defender causas sociais sem assaltar cofres públicos, perseguir adversários ou transformar a bandeira da esquerda em biombo para corrupção. Um humanista raro na política latino-americana, lembrando ao continente que integridade não é utopia, é escolha.
Todos eles frequentam a mesma escola, o Foro de São Paulo, o grande centro de treinamento onde a esquerda continental estuda marxismo, afina discurso identitário e aprende, com impressionante velocidade, como usar o Estado como caixa eletrônico. Há até turma avançada: “Populismo Aplicado II – Como destruir a economia e culpar os EUA”.
Criado em 1990, o Foro conseguiu um feito histórico: elegeu praticamente todos os presidentes que destruíram seus países nas décadas seguintes. Dá até para fazer um álbum de figurinhas:
Cristina Kirchner – agora com 20 propriedades confiscadas, porque afinal “redistribuição” sempre começa pelo patrimônio… dos outros.
Ollanta Humala e Nadine Heredia – tão perseguidos politicamente que a Odebrecht os perseguia com malas de dinheiro.
Rafael Correa – refugiado na Europa, porque é de bom-tom que o revolucionário do século XXI faça sua luta de classes de dentro de um duplex na Bélgica.
Evo Morales – que acreditava tanto na Mãe Terra que resolveu ajudar a natureza desviando uns milhões.
E o Brasil, claro, não pode ficar de fora. Lula, que já teve prisão, descondenação, nova posse e agora virou patrono oficial do asilo a corruptos estrangeiros, decidiu abrigar Nadine Heredia como se estivesse recebendo uma hóspede para um intercâmbio cultural. Talvez esteja: intercâmbio de métodos.
Luis Arce mostrou que aluno bom supera o professor. Preso em casa por desviar dinheiro do Fundo Indígena – o que, convenhamos, é quase um esporte nacional de setores da esquerda – protagonizou a mais recente ópera tragicômica bolivariana.
Um governo quebrado, uma prisão sem mandado e um país em colapso. Realismo mágico? Não, realismo político.
Na Colômbia, Gustavo Petro não precisou de Ministério do Orçamento: seu próprio filho tratou de montar um “projeto paralelo de arrecadação”. Lavagem de dinheiro, narcotráfico, enriquecimento ilícito, o pacote completo.
Petro, emocionado, disse que não interferirá. Claro que não. Interferir onde o filho já cumpriu o manual certinho seria falta de ética.
Ortega, o senhor da Nicarágua, é o aluno que não colou na prova — ele derrubou a mesa, botou fogo na sala e prendeu quem tentou sair.
Tortura, censura, perseguição, prisões políticas, sanções internacionais… o homem coleciona denúncias como quem coleciona chaveiro de aeroporto.
Se existisse o “Oscar da Repressão”, ele ganhava todo ano.
E como falar da esquerda latino-americana sem mencionar Dilma Rousseff, a gerente-geral do “projeto vermelho” que prometia prosperidade, mas entregou recessão, pedaladas e um país à beira do colapso fiscal?
Dilma não só surfou na onda bolivariana, como ajudou a aprofundar o lamaçal que envolveu Petrobrás, empreiteiras, fundos públicos e todo tipo de engenharia criativa que faria até um contador venezuelano corar.
Seu impeachment foi um divisor de águas, resultado direto de prevaricação, irresponsabilidade fiscal e conivência com corrupção, embora, num verdadeiro passe de mágica jurídica, tenha preservado os direitos políticos graças ao ministro Ricardo Lewandowski, hoje, ironicamente, ministro da Justiça de Lula.
Dilma caiu, sim, mas caiu de pé, escoltada pelo tapete vermelho estendido pelo sistema que ela mesma ajudou a devastar.
Prova de que na cartilha da esquerda, o castigo raramente acompanha o crime.
Os socialistas latino-americanos vivem da promessa do novo, mas entregam sempre o mesmo:
Autoritarismo
Corrupção
Narrativa de vítima
Um país quebrado
A esquerda bolivariana é como uma franquia de fast-food: onde você abre uma, já sabe exatamente o sabor do desastre.
A única dúvida é se o governo vai terminar em ditadura ou em delação premiada.
Michelle Bachelet e Pepe Mujica seguem firmes como os últimos sobreviventes de uma espécie em extinção: a esquerda honesta. Quase um mito. Há quem diga que deveriam ser estudados pela ciência.
Enquanto isso, o resto da turma continua aprimorando o velho lema do Foro de São Paulo: “Integrar a América Latina, sim, mas preferencialmente nos processos criminais”.
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