
A captura de Joabe da Silva Aguiar, 40 anos, marcou um dos golpes mais significativos contra o crime organizado no extremo sul do Piauí nos últimos anos. Apontado como líder de uma célula violenta do Comando Vermelho com atuação em Avelino Lopes, Bom Jesus e cidades vizinhas, Joabe não era apenas mais um foragido: ele era, segundo a polícia, o cérebro operacional de uma estrutura responsável por execuções em série, torturas, cobranças armadas e coordenação do tráfico na região. Contra ele pesam dezenas de investigações por homicídios, além da condenação definitiva de 49 anos de prisão por torturar e matar um casal que trabalhava para sua organização por causa de uma dívida de R$ 3 mil.
Foragido desde 2016, após escapar da Penitenciária de Bom Jesus, Joabe reconstruiu sua vida criminosa em silêncio, mudando de estado e redesenhando seus métodos de comando. Passou pelo Goiás, depois fixou base em Belém, onde vivia sob a identidade falsa de “André Silva Sousa”, em um apartamento confortável no bairro Pedreira. De lá, mantinha contato com operadores no Piauí, ordenava execuções e supervisionava cobranças ligadas ao tráfico. A rotina era planejada, discreta, e com pouquíssimas saídas de casa para evitar qualquer rastro. A polícia afirma que, mesmo distante, ele seguia atuando como pivô das mortes violentas registradas no extremo sul nos últimos dois anos.
A operação que levou à sua prisão mobilizou forças de segurança do Piauí, Pará e Goiás, envolvendo SSP-PI, DRACO, Diretoria de Inteligência, Polícia Civil e Militar, além do Grupo Antissequestro de Goiás, Ciberlab da SENASP e Divisão de Homicídios do Pará. Durante semanas, equipes monitoraram deslocamentos, hábitos e sinais digitais do foragido. O cerco se fechou após a confirmação de que ele mantinha um padrão de movimentação financeira compatível com o abastecimento de suas operações criminosas no Piauí.
No momento da abordagem, Joabe tentou destruir um dos dois celulares que carregava, jogando-o ao chão para impedir acesso a possíveis provas. Também estavam com ele R$ 15 mil em espécie, dinheiro que, segundo investigadores, seria parte do fluxo financeiro do tráfico na região. A reação foi curta: ao se ver cercado, ele não resistiu, apenas demonstrou surpresa ao perceber que o cerco vinha do Piauí, estado que julgava distante e incapaz de alcançá-lo.
A prisão ocorreu na Travessa Timbó, no coração do bairro Pedreira, área urbana e movimentada de Belém. Dentro do apartamento, Joabe vivia com esposa e um filho pequeno, mantendo aparência de pai de família e cidadão comum. A distância física, porém, não o afastava da gestão criminosa no Piauí. Segundo a investigação, ele continuava atuando como comando decisório da facção, dando ordem para execuções, disciplinando membros e autorizando operações de tráfico.
A polícia classifica Joabe como um dos criminosos mais violentos em atuação no sul do estado e afirma que sua captura desmonta uma das estruturas que mais alimentavam a escalada de assassinatos na região nos últimos anos. O delegado Célio Benício resumiu o impacto da operação: “Ele não acreditava que seria localizado em Belém. Estávamos há mais de um mês monitorando sua rotina”. O próximo passo será o recambiamento ao Piauí, onde deverá cumprir não apenas a pena pelos crimes já julgados, mas também responder pelas novas investigações que o ligam a mortes e operações criminosas realizadas mesmo após sua fuga.
TRÁFICO Polícia prende mulher suspeita de integrar organização criminosa em Parnaíba
INCÊNDIO Incêndio assusta motoristas e destrói parte de carro na zona Leste de Teresina
CONFRONTO Suspeitos de assassinato em bar de Picos são mortos em confronto com a polícia Mín. 25° Máx. 38°