
O agronegócio brasileiro deve atravessar um cenário complicado em 2026, principalmente por fatores macroeconômicos. A avaliação é de Cesar Castro Alves, gerente da consultoria agro do Itaú BBA, que aponta os juros elevados como o principal entrave para o setor. Mesmo com a expectativa de queda da taxa Selic ao longo do próximo ano, o custo financeiro seguirá alto e exigirá maior cuidado na gestão de riscos por parte dos produtores.
Segundo o analista, a Selic pode recuar de 15% para cerca de 12,75%, mas isso ainda não será suficiente para aliviar o impacto nos custos, especialmente para quem trabalha com áreas arrendadas. Dependendo do desempenho da safra, há risco real de prejuízo. Do lado do mercado internacional, a oferta global de grãos segue confortável, o que mantém os preços das commodities pressionados, enquanto os custos de produção, em especial os fertilizantes, continuam elevados.
O Itaú BBA também projeta um dólar mais forte em 2026, com a moeda americana chegando a R$ 5,50 no fim do ano. Em tese, a desvalorização do real ajuda quem exporta, mas o ano eleitoral no Brasil adiciona um componente extra de incerteza. Além disso, o clima preocupa: as chuvas abaixo do esperado no início da safra de verão afetaram culturas como café, cana e laranja e trouxeram dúvidas sobre o desempenho do milho safrinha.
Apesar dos riscos, a expectativa é de uma boa produção de grãos, embora com pouca margem para alta de preços. A recomendação é aproveitar momentos pontuais de valorização para travar preços. Outro ponto de atenção é o atraso na compra de fertilizantes, que pode gerar problemas logísticos e pressionar ainda mais as margens. O setor segue sensível a tensões geopolíticas, que continuam influenciando os preços dos insumos. No mercado interno, mesmo com preços altos, o volume vendido se manteve, mas houve queda na qualidade dos fertilizantes adquiridos, com maior uso de produtos menos concentrados.
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