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Polícia MILIONÁRIO DO CRIME

Gordo, líder do PCC girou mais dinheiro que 2 capitais do país juntas, de dentro da cadeia

Mesmo atrás das grades há 22 anos, o chefão do crime continuou a controlar suas operações com precisão cirúrgica, algo que beira o inacreditável

09/09/2024 às 06h56
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações Metrópoles
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Gordo está preso há 22 anos e controla tudo da cadeia - Foto: Reprodução
Gordo está preso há 22 anos e controla tudo da cadeia - Foto: Reprodução

Definitivamente, o Brasil se tornou um verdadeiro paraíso para a bandidagem e o crime organizado. Enquanto as autoridades parecem lutar contra moinhos de vento, facções criminosas e operadores de esquemas bilionários tomam conta do país, movimentando fortunas de dentro e fora das cadeias. Na mais recente operação que chocou o Brasil e que resultou na prisão da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, e a mãe dela, a polícia bloqueou impressionantes R$ 2,1 bilhões. Mas isso é apenas a ponta do iceberg.

Agora, as investigações revelam que Anderson Manzini, conhecido como "Gordo", líder do PCC, conseguiu movimentar nada menos que R$ 8 bilhões diretamente de sua cela. Sim, bilhões! Mesmo atrás das grades há 22 anos, o chefão do crime continuou a controlar suas operações com precisão cirúrgica, algo que beira o inacreditável. Em que outro lugar do mundo isso seria possível? Onde mais as facções criminosas teriam tanta liberdade para operar de dentro de presídios, controlando o tráfico, aplicando golpes e movimentando cifras bilionárias?

O caso de Manzini escancara a fragilidade do sistema prisional brasileiro. As operações dele, comandadas através de cartas e mensagens transmitidas por sua esposa, Fabiana Manzini, envolviam desde a gestão de bocas de fumo até acordos milionários que garantiam o crescimento contínuo de seu núcleo criminoso. Em cinco anos, o Gordo movimentou mais dinheiro do que o orçamento anual de duas capitais brasileiras, Aracaju e Florianópolis, que juntas somam cerca de R$ 7,8 bilhões.

Apesar de estar sob ameaça de morte, devido a disputas internas no PCC, Manzini continuou a administrar seu império, contando com uma rede de mais de 40 contatos, entre advogados, laranjas e membros da facção. Suas operações foram tão bem estruturadas que as transferências financeiras eram realizadas de maneira quase empresarial, com dinheiro entrando regularmente nas contas vinculadas à sua esposa. Em um dos esquemas, uma boca de fumo no Campo Limpo, em São Paulo, pagava um "aluguel" de R$ 2.800 mensais, tudo via Pix, para contas que não estavam nem no nome de Fabiana, mas que garantiam o fluxo contínuo de dinheiro.

Não é só o tráfico de drogas que sustentava o esquema. A quadrilha liderada por Manzini criou o que a polícia chamou de "banco do crime", um sistema financeiro próprio, que movimentou bilhões por meio de mais de 19 empresas de fachada. Um exemplo é João Gabriel Yamawaki, primo de Gordo, cujo envolvimento no esquema resultou no bloqueio de R$ 501,3 milhões. Toda essa operação superou, em termos de dinheiro movimentado, o Produto Interno Bruto de países inteiros, como São Tomé e Príncipe, cujo PIB em 2023 foi de R$ 3,3 bilhões.

Manzini e sua rede não apenas enriqueceram membros da facção, mas também buscaram influenciar campanhas eleitorais, tentando infiltrar seus interesses no cenário político de cidades do interior e da região metropolitana de São Paulo. A Polícia Civil de São Paulo continua as investigações, mirando outros alvos após a quebra de sigilo telemático de dois celulares apreendidos com Fabiana.

O Brasil, "abençoado por Deus e bonito por natureza", infelizmente também parece abençoado para o crime, que segue prosperando nas sombras da impunidade e da inércia das autoridades. A situação de Gordo e outros líderes do crime organizado expõe as rachaduras de um sistema que não consegue barrar nem mesmo os bilhões que giram dentro das cadeias. Afinal, em que outro país do mundo isso seria possível?

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