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Brasil SABATINA DO SENADO

A jogada ensaiada: Gilmar, Messias e o Senado no teatro da blindagem suprema

Decisão de Gilmar Mendes que restringe pedidos de impeachment de ministros do STF vira palco para a entrada estratégica de Jorge Messias, reacende suspeitas de manobra política e tensiona a relação entre Senado e Supremo em plena batalha por uma vaga na Corte

04/12/2025 às 06h20
Por: Douglas Ferreira Fonte: Com informações DP
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Jorge Messias ministro-chefe da Advocacia Geral da União - Foto: Reprodução
Jorge Messias ministro-chefe da Advocacia Geral da União - Foto: Reprodução

A política brasileira tem suas tradições folclóricas, e uma delas é a certeza de que tudo pode acontecer, inclusive absolutamente nada. A cada episódio, o país parece inventar uma novidade: um esquema engenhoso ali, uma manobra astuta aqui, um personagem improvável acolá. E, claro, aqueles velhos conhecidos do eleitorado, os políticos capazes de “vender até a mãe para ganhar a eleição”, alguns, inclusive, vendem e entregam. Mas quando essa lógica típica do submundo eleitoral começa a contaminar também o Poder Judiciário, é sinal de que o alerta vermelho não deve apenas acender, deve explodir.

A ação de Gilmar Mendes, ao decidir monocraticamente que somente o procurador-geral da República pode pedir impeachment de ministros do STF, não é apenas controversa. É uma daquelas canetadas que mudam a história, e não por acaso. Gilmar simplesmente arrancou do Senado uma prerrogativa constitucional. Não estamos falando de um ajuste técnico, mas de alterar a mecânica de freios e contrapesos da República. E de quebra, claro, pavimentar a estrada para quem? Para o personagem do momento: Jorge Messias, o famoso Bessias da era Dilma.

O que a oposição começou a farejar, e com razão, é que a aparente colisão institucional entre Senado e Supremo talvez não passe de uma jogada ensaiada. Uma coreografia. Um número de circo ensaiado com semanas de antecedência. Até porque, de repente, do nada, surge Messias pedindo que Gilmar “reconsidere” sua própria decisão. Um gesto dramático, calculado e, sobretudo, conveniente.

O detalhe que mais chama atenção é que o Messias da AGU não tem apresentado protagonismo nos principais debates do país. Ignorou o rombo monumental no INSS. Permaneceu silencioso em várias crises. Foi praticamente um personagem oculto no governo. E então, como quem acorda de um transe, resolve se meter justamente no embate mais tenso entre dois Poderes. Coincidência? Ou apenas a chance ideal para mostrar serviço ao Senado, o mesmo Senado que anda desconfiado e resistente ao nome dele para o STF?

Desperto do “sono profundo”, Messias agora tenta parecer estadista, moderador, guardião da Constituição. A súbita coragem de apelar diretamente ao ministro Gilmar Mendes levanta a questão: ele realmente acha que sua súplica será atendida? Ou o objetivo é apenas construir narrativa para a sabatina? É uma tentativa de provar que não será um ministro alinhado, submisso, subserviente ao Supremo? Ou seria justamente o contrário?

Seja como for, a encenação é boa demais para passar despercebida. A oposição já percebeu a manobra. Não é preciso um analista político brilhante para notar que a liminar de Gilmar abriu uma brecha perfeita para Messias entrar em campo como o “homem ponderado”, o “conciliador”, o “jurista responsável”. Um papel tão conveniente quanto estratégico para reverter rejeições e suavizar resistências dentro do Senado.

A ironia é que essa mesma liminar cria uma blindagem inédita para ministros do STF. Blindagem essa que beneficia diretamente quem? O próprio Supremo. E quem está, neste momento, tentando entrar no seleto clube? Messias. A matemática é simples e a coreografia é perfeita demais para ser casual.

E a pergunta que fica no ar é ainda mais explosiva: Gilmar Mendes vai atender ao pedido do Messias? Se atender, completa-se o círculo da jogada ensaiada. Se não atender, pelo menos Messias terá posado de defensor do equilíbrio entre os Poderes. Em ambos os casos, ele só ganha. A única dúvida é se o Brasil é um país sério o suficiente para perceber a coreografia, ou se vai aplaudir de pé, como sempre.

E o Senado? Vai engolir a afronta em silêncio? Vai aceitar ser figurante nessa peça? Ou finalmente lembrará que ainda é um Poder da República, não um mero departamento do STF? Se nos últimos anos algo ficou claro, é que a independência entre os Poderes no Brasil virou ficção jurídica, dessas bem mal escritas.

Na política brasileira, dizem que nada surpreende mais. Mas essa história, se for mesmo uma jogada ensaiada, entra fácil na lista das manobras mais engenhosas, ousadas e, por que não dizer, cínicas da República recente. Afinal, se o Brasil não é para amadores, a política brasileira é para profissionais de circo. E dos bons.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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