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Lei Alice Brasil: Teresina reforça segurança em escolas após tragédia que comoveu o Piauí

Nova legislação exige inspeções técnicas e responsabiliza gestores, especialistas avaliam alcance e limites da medida

01/12/2025 às 20h34
Por: Douglas Ferreira
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Prefeito Silvio Mendes - Foto: Reprodução
Prefeito Silvio Mendes - Foto: Reprodução

A sanção da Lei Alice, anunciada pelo prefeito Sílvio Mendes, inaugura um novo marco de responsabilidade e prevenção dentro das escolas de Teresina. A legislação nasce após a morte brutal e inesperada da pequena Alice Brasil, de 4 anos, vítima de um acidente que poderia ter sido evitado. A escola onde ocorreu a tragédia pertence à família do governador Rafael Fonteles, do PT, o que ampliou ainda mais o impacto político e social do caso. O texto da lei, elaborado em meio à comoção social, busca transformar dor em proteção, criando obrigações claras para escolas públicas e privadas, que agora terão de garantir ambientes mais seguros, fiscalizados e tecnicamente avaliados pelo poder público.

A Lei Alice determina que todas as unidades escolares realizem inspeções técnicas periódicas em móveis, brinquedos e equipamentos. Essas vistorias serão conduzidas por profissionais indicados pela Prefeitura, criando um protocolo obrigatório de avaliação de riscos. A regra atinge desde creches até instituições de ensino médio, tanto da rede pública quanto da rede privada.

Na prática, a lei protege alunos ao estabelecer que nenhum equipamento sem estabilidade, manutenção adequada ou fixação segura poderá permanecer nas salas e áreas de convivência. A proposta também reforça a responsabilidade dos gestores, que passam a responder não apenas moralmente, mas administrativamente, caso descumpram as normas de segurança.

A importância de uma legislação como essa vai além da resposta a um caso específico. Ela estabelece, pela primeira vez em Teresina, um padrão institucional de prevenção, reduzindo a margem para negligência, improvisos e omissões históricas em ambientes escolares. Especialistas afirmam que medidas desse tipo tendem a salvar vidas porque atacam o problema antes que ele se manifeste, no risco, na estrutura, no detalhe técnico que passa despercebido no dia a dia escolar.

Mas a pergunta que mais ecoa entre pais e responsáveis é direta, a Lei Alice poderia ter evitado a morte de Alice Brasil?
A resposta majoritária entre técnicos e educadores é que provavelmente sim, desde que a escola tivesse sido obrigada a passar por inspeções regulares e cumprir normas estruturais rígidas. O móvel que caiu sobre a criança não estaria no local sem fixação adequada, sem avaliação técnica e sem a certificação mínima de segurança exigida agora pela nova lei.

Ao sancionar a norma, Sílvio Mendes afirmou que a Prefeitura atuará com rigor e transparência. A íntegra da legislação estará disponível no Portal da Transparência, e cópias serão enviadas a todas as unidades escolares. A ideia é permitir que pais, professores e funcionários conheçam as regras e cobrem seu cumprimento. “É preciso que cada diretor e proprietário assuma a responsabilidade de proteger seus alunos”, destacou o prefeito.

A Lei Alice, portanto, não apaga a dor, mas tenta impedir que outras famílias passem pelo mesmo sofrimento. É um avanço, necessário, urgente e inadiável, para uma cidade que precisou perder uma criança para perceber que a prevenção não é um detalhe, mas um dever.

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