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Aldo Rebelo: a lucidez rara em um Brasil que desaprendeu a pensar estrategicamente

Ex-ministro revisita a história recente, critica entraves ao desenvolvimento e defende soberania, indústria e equilíbrio institucional em encontro promovido pelo CIEPI e Movimento Empreender Piauí

27/11/2025 às 06h25 Atualizada em 27/11/2025 às 08h03
Por: Douglas Ferreira
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Com auditório lotado Aldo Rebelo fez um giro pelo Brasil do passado e do presente - Foto: Douglas Ferreira
Com auditório lotado Aldo Rebelo fez um giro pelo Brasil do passado e do presente - Foto: Douglas Ferreira

O ex-deputado federal e jornalista Aldo Rebelo voltou ao Piauí para oferecer ao empresariado, industriais, profissionais liberais e lideranças políticas um daqueles momentos que parecem ter se tornado raros no debate público: revisão histórica, reflexão estratégica e crítica fundamentada, sem slogans, sem fanatismo e sem medo de tocar nos pontos sensíveis que travam o desenvolvimento brasileiro. O encontro foi promovido pelo Centro das Indústrias do Estado do Piauí - CIEPI e pelo Movimento Empreender Piauí - MOVE.

Aldo fala com a autoridade de quem não apenas viveu a política, mas a moldou. Foram seis mandatos como deputado federal, a presidência da Câmara dos Deputados e a condução de quatro ministérios, Relações Institucionais, Esporte, Ciência e Tecnologia, e Defesa. Um percurso que o coloca entre os poucos quadros nacionais capazes de analisar o Brasil com profundidade histórica, compreensão geopolítica e senso de responsabilidade.

Mas talvez o mais importante seja isto: Aldo Rebelo fala com coerência.

Filho da militância estudantil, forjado na UNE e no antigo PCdoB, ele se afastou do radicalismo ideológico quando percebeu que a esquerda brasileira tomava um rumo distante da defesa do povo, dos trabalhadores, da soberania e do desenvolvimento, pilares que sempre nortearam sua trajetória. Hoje filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Rebelo carrega a maturidade de quem evoluiu, não renegou o passado, mas também não se acorrentou a ele.

A crítica que não é destruição, mas construção

No encontro, Aldo Rebelo ofereceu ao público um mergulho lúcido na história recente, destacando erros repetidos, oportunidades perdidas e caminhos possíveis. Fez críticas firmes, porém propositivas, algo quase extinto no cenário político nacional.

Entre os temas tratados, dois ganharam destaque especial:

1. A Amazônia como território de gente, e não de ficção ideológica

Aldo reafirmou sua defesa intransigente da Amazônia e do meio ambiente, mas sem aceitar a falácia de que preservação exige miséria.

Não podemos permitir que 30 milhões de amazônidas vivam na miséria mesmo com um tesouro sob os pés”, lembrou.

Sua crítica à política ambiental do governo atual, e às agendas ditadas por ONGs e organismos internacionais, foi recebida com atenção e concordância. Para Aldo, não há soberania ambiental sem soberania econômica.

2. O ativismo judicial e o desalinhamento institucional

Rebelo trouxe ao debate um dos temas mais espinhosos da atualidade: o poder desproporcional do STF e o avanço do ativismo judicial.

Chamou atenção para o impacto político da indicação de Jorge Messias ao Supremo:

O presidente Lula e a esquerda devem alcançar onze ministros no STF”, destacou.

E foi direto ao ponto: o Supremo assumiu prerrogativas que não estão previstas na Constituição, desequilibrando a separação de poderes e dificultando tanto a governabilidade quanto a atividade legislativa.

Não houve estridência, nem ataques: houve diagnóstico.

Desenvolvimento industrial travado

Aldo ainda abordou o entrave que a burocracia ambiental e a influência externa impõem ao crescimento industrial brasileiro, justamente o setor capaz de gerar empregos de qualidade, inovação e competitividade. Para ele, não há futuro para o Brasil sem indústria forte, e o país tem sido sistematicamente impedido de avançar.

Um público que não apenas aplaudiu, refletiu

Ao fim da palestra, o auditório não reagiu apenas com aplausos protocolares.
Houve admiração pela clareza das ideias, surpresa pela profundidade histórica e respeito pela independência intelectual de Aldo Rebelo.

Num Brasil intoxicado por extremismos, superficialidade e frases feitas, ouvir alguém capaz de transitar com segurança por temas como geopolítica, soberania, meio ambiente, economia, ativismo judicial e desenvolvimento nacional é quase um alívio.

Aldo Rebelo não fala para agradar.
Fala para alertar, ensinar e provocar reflexão.

E isso, hoje, vale ouro.

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A NOTÍCIA E O FATO
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Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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