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Polícia JOGO SUJO

A farra acabou: denunciados, expostos e ainda livres, o submundo dos influencers do Jogo Sujo

MP do Piauí cerca quarteto de ostentação digital, mas dúvidas incômodas permanecem: estão soltos, mantêm o luxo e continuam com os bens no bolso?

25/11/2025 às 18h15 Atualizada em 26/11/2025 às 06h39
Por: Douglas Ferreira
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Influencers denunciados Nayanna Fonseca, Nathalya Therccia, Carlos Ribeiro, Maria Vitória Silva de Sousa Lima e Domingos da Silva Ferreira - Foto: Reprodução
Influencers denunciados Nayanna Fonseca, Nathalya Therccia, Carlos Ribeiro, Maria Vitória Silva de Sousa Lima e Domingos da Silva Ferreira - Foto: Reprodução

A terceira fase da Operação Jogo Sujo deixou de ser apenas mais uma manchete policial e passou a revelar um retrato incômodo da economia paralela que se instalou nas redes sociais. O Ministério Público do Piauí denunciou quatro nomes conhecidos no circuito da ostentação digital: Domingos da Silva Ferreira (DJ Loboox), Nayanna Fonseca, Nathalya Therccia Carlos Ribeiro e Maria Vitória Silva de Sousa Lima (DJ Latina Gold). Cada um deles representava, à sua maneira, uma vitrine de “sucesso fácil” exibida para centenas de milhares de seguidores — sucesso que, segundo as investigações, era financiado por fraude, manipulação e simulação de ganhos inexistentes.

A mecânica do golpe já virou velha conhecida no Brasil, mas segue funcionando: contas “demo” usadas para simular lucros impossíveis, supostamente gerados em jogos de azar online como o famoso Tigrinho. O script é previsível, mas letal: ostenta-se o impossível para vender o improvável, e quem paga a conta são os seguidores iludidos pela fantasia de enriquecimento instantâneo.

Dentro desse teatro digital, DJ Latina Gold despontava como a estrela ambígua da trama. Com mais de 153 mil seguidores, viagens internacionais e uma loja badalada, era a personificação calculada do lifestyle que movimenta milhões em cliques e ilusões. Sua prisão, porém, durou pouco: ao colaborar com a investigação, ganhou o benefício da liberdade quase imediata. A pergunta que não quer calar: colaboração suficiente para voltar à rotina de luxo?

O marido, DJ Loboox, também fazia parte do espetáculo. Com "apenas" 20 mil seguidores, mas com presença constante nas redes, construía ao lado da esposa uma narrativa de prosperidade que agora se desmonta com a mesma velocidade com que ganhava likes. Nada mais irônico: o casal que vendia sonhos milionários agora responde por supostas fraudes de centavos monitoradas pela polícia.

A empresária Nayanna Fonseca, com 11 CNPJs registrados e quase 400 mil seguidores entre contas pessoais e comerciais, completa o mosaico. O MP diz que ela usava o alcance digital para reforçar a legitimidade de ganhos ilusórios. A pergunta é direta e incômoda: como alguém com tantos negócios formais se prestou a um esquema tão rudimentar?

Nathalya Therccia, dona de salão de beleza e figura relativamente discreta no escândalo, teria usado a influência regional para atrair vítimas. Menor exposição não significa menor impacto, pelo contrário. A força do esquema estava justamente na pulverização: um golpe não mais centralizado, mas replicado em microinfluenciadores que formavam uma cadeia coordenada de sedução digital.

O que ninguém responde com clareza, e talvez ninguém queira responder, é que, apesar das denúncias, todos os acusados seguem soltos. Andam onde querem, publicam o que querem e, ao que tudo indica, aguardam o desenrolar do processo em liberdade. Em um estado onde pequenos criminosos mofam em celas superlotadas, a diferença de tratamento grita.

E os bens? E o dinheiro apreendido?
A investigação aponta que houve sequestro de valores e apreensão de patrimônio, mas como toda operação de grande visibilidade no Brasil, paira no ar a eterna dúvida: o que foi bloqueado permanece bloqueado? Ou, como em tantos outros casos, o patrimônio já encontrou caminhos sinuosos para escapar do alcance judicial?

Nos bastidores, o clima não é de fechamento de ciclo, é de escalada. O Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) prepara uma megaoperação que promete derrubar um tabuleiro mais amplo do que o público imagina. Influencers que até agora circulavam fora do radar começam a sentir o calor da marreta. E o mais inquietante: as investigações já cruzam as fronteiras do Piauí.

A sensação é inevitável: se a Jogo Sujo III expôs o verniz, a próxima fase promete arrancar a tinta.

A nova denúncia do MPPI não é um ponto final, é o prenúncio de uma guerra aberta entre o Estado e uma indústria milionária que nasceu do casamento tóxico entre plataformas digitais, fragilidade regulatória e a eterna sede de lucro fácil.

Resta saber se, desta vez, o Estado conseguirá algo que raramente consegue: punir rápido, punir certo e punir proporcionalmente. Porque, até agora, a única certeza é que o jogo era sujo, mas o tabuleiro ainda está longe de ser limpo.

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