
Quem anda por feiras e supermercados já percebeu a contradição: a banana-nanica está longe de ser pequena. Comprida, grossa e cheia de aroma, ela é uma das frutas mais consumidas do país e justamente essa aparência causa a dúvida que muita gente leva desde criança. Afinal, por que chamar de “nanica” algo que claramente não é? Pesquisadores explicam que o nome não tem nada a ver com o tamanho do fruto, mas sim com a altura da bananeira que o produz. Enquanto outras variedades chegam a cinco ou até sete metros, a planta da nanica não passa dos três. É baixa, fácil de manejar e menos sujeita a tombar em dias de vento forte, por isso virou queridinha dos produtores.
A variedade pertence ao subgrupo Cavendish e tem origem no sul da China. De lá, foi levada por expedicionários para a Inglaterra no século XIX e, depois, espalhada por regiões tropicais no mundo inteiro. Em muitos países, o nome segue o original: “Cavendish banana”. Lá fora, ninguém chama de “nanica”; isso é criação brasileira. Aqui, o apelido pegou e ainda ganhou outras versões regionais, como “caturra” e “banana-d’água”. Nos mercados internacionais, porém, quando alguém fala em banana, quase sempre está se referindo justamente à Cavendish.
Mesmo com a planta menor, os frutos continuam grandes por causa da genética. O subgrupo Cavendish tem como característica natural o formato alongado e a polpa muito doce. A casca fica bem amarela e escurece conforme amadurece, o aroma é forte, e o sabor, marcante. Essas diferenças explicam por que a variedade domina as exportações globais: Estados Unidos, União Europeia, Rússia e Japão consomem milhões de toneladas desse tipo, sem apelidos, sem confusão, apenas “Cavendish”.
No Brasil, a banana-nanica aparece em segundo lugar entre as mais cultivadas, com cerca de 25% da produção nacional. Quem lidera é a variedade branca, do subgrupo Prata, com 55% da área plantada. Mas a nanica predomina em estados como Santa Catarina, Paraná e São Paulo e segue crescendo no consumo. E, apesar do nome que engana, uma coisa não muda: para os brasileiros, a “nanica” nunca foi pequena e continua sendo uma das grandes protagonistas das nossas mesas.
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