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Política AFROUXAMENTO

Antifacção no Senado: o jogo bruto de Lula, Alcolumbre e a obsessão da esquerda por “domar” o combate ao crime

Apesar da vitória esmagadora na Câmara, o governo Lula se prepara para desidratar o projeto que endurece punições contra facções - e aposta tudo no Senado para reverter o que o Planalto considera uma derrota política

20/11/2025 às 08h09 Atualizada em 20/11/2025 às 17h20
Por: Douglas Ferreira
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Deputado Guilherme Derrite relatou o projeto Antifacção - Foto: Reprodução
Deputado Guilherme Derrite relatou o projeto Antifacção - Foto: Reprodução

O projeto Antifacção passou na Câmara como um trator - maioria esmagadora, pouco debate e um recado cristalino: o Brasil quer endurecimento no combate ao crime organizado. Mas a guerra está longe de acabar. A batalha decisiva acontece agora no Senado, onde Lula tem uma arma poderosa: Davi Alcolumbre, presidente da Casa e figura política que, segundo seus colegas, “não resiste a um cargo”.

E é aqui que a história muda de figura.

Por que Lula quer desmontar o projeto?

A resposta é simples e política: o texto final relatado por Guilherme Derrite ficou duro demais para o gosto do governo.

Não por acaso:

  • O Planalto tentou impedir a escolha do relator

  • Gleisi Hoffmann pressionou pessoalmente

  • Lula ligou para Hugo Motta em tom de bronca

  • O governo simplesmente se recusou a conversar com Derrite

O objetivo, segundo fontes do próprio Congresso?
Ganhar tempo e deixar o “serviço sujo” para o Senado - onde Alcolumbre poderia aparar arestas, suavizar trechos e “reajustar” o que Planalto considera excessivo.

Mas por que afrouxar o combate ao crime ajudaria o governo?

Aqui entra um ponto incômodo, mas real: parte expressiva da esquerda institucional tem um histórico de discursos, militâncias e pautas que confundem garantismo com permissividade.

A lógica é a mesma de sempre:

  • bandidos são vítimas do sistema, não agentes do crime

  • endurecer punições seria “criminalizar a pobreza”

  • criar regras rígidas aumentaria “encarceramento em massa”

É a visão ultrapassada que governa o PT desde os tempos da redemocratização. E por mais que o Brasil de 2025 seja outro - dominado por facções, narcopoder e territórios controlados pelo crime - a ideologia permanece congelada no tempo.

Por isso a sanha em desidratar o projeto.

Simples assim.

Afrouxar o texto favorece o crime organizado?

Sim. E de maneira direta.

O projeto aprovado na Câmara:

  • Equipara facções a grupos terroristas (possibilidade de penas mais altas)

  • Endurece regime prisional

  • Aumenta controle sobre comunicação de presos

  • Reduz brechas jurídicas exploradas por organizações criminosas

Diluir isso no Senado significa devolver oxigênio para Comando Vermelho, PCC, Família do Norte e milícias.

E todos sabem disso.

Por que a esquerda brasileira tem fascinação pelo “pobre bandido”?

Porque uma parte dela ainda está presa à moldura ideológica da década de 1980:

  • crime é consequência da desigualdade

  • polícia é opressora

  • bandido precisa de compreensão, não punição

  • endurecer leis seria "protofascismo"

É um pensamento que já não encontra eco na sociedade.

O brasileiro médio - pobre, trabalhador, morador da periferia, refém de facções - quer é segurança, não tese acadêmica.

Mas o clima no Brasil virou. E isso muda o jogo no Senado.

A percepção nacional é clara:
o povo está mais alinhado ao texto duro da Câmara do que ao afrouxamento desejado pelo governo.

E isso pesa.

Pesa no voto, pesa na opinião pública, pesa nos senadores que não querem ser cobrados como cúmplices da criminalidade.

Além disso:

  • Efraim Filho quer ressuscitar a equiparação de facções a terroristas

  • A oposição articula apoio massivo

  • Governadores pressionam por endurecimento

  • E a base aliada sabe que defender bandido em 2025 é suicídio eleitoral

O governo quer diluir.
Mas o país quer endurecer.
E isso torna o resultado imprevisível.

No fim das contas, o que está em jogo?

Duas visões de Brasil:

1. A visão do governo Lula:

Penas mais brandas, linguagem garantista, controle político da pauta, menos autoridade policial.

2. A visão da Câmara e da maioria da população:

Punição rígida, combate efetivo às facções, fortalecimento do Estado contra o crime.

O Antifacção no Senado será, portanto, um divisor de águas político e ideológico.

Se o governo vencer, o projeto será suavizado e o crime respirará aliviado.
Se o endurecimento for mantido, será uma derrota histórica para o Planalto.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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