
Hugo Motta bate o pé, mas a política pode quebrar o salto antes da votação
O presidente da Câmara, Hugo Motta, resolveu finalmente “engrossar o gogó”. Pelo visto, cansou de ser chamado de frouxo - e, para surpresa geral da República, resolveu falar grosso. Bateu o pé, jurou que não muda o relator, jurou que não adia mais nada, jurou que o PL Antifacção será votado nesta terça, dia 18. Jurou tanto que até parece verdade.
Mas a política brasileira tem um talento especial: ela transforma juramentos em poeira em questão de horas.
O que Motta disse 24 horas atrás pode virar fumaça antes mesmo do café esfriar. E ele sabe disso. Nós sabemos disso. Todo mundo no Congresso sabe, ninguém admite, mas sabe. Magalhães Pinto já avisava: “política é como nuvem”. E em Brasília, convenhamos, venta muito.
Nos corredores da Câmara, a expectativa está dividida. Metade acha que o imbróglio se resolve amanhã e que o relatório do deputado Guilherme Derrite finalmente vai ao plenário. A outra metade só balança a cabeça e ri: não acredita que esse projeto será votado nem este ano.
E por quê? Porque o governo estaria se movimentando para evitar a aprovação do relatório. Motivos? Todo mundo imagina, mas ninguém ousa pronunciar, pelo menos não diante de uma câmera, microfone ou gravação.
Enquanto isso, Motta enfrenta sua própria prova de coragem. O PT pediu a troca do relator, mas ele respondeu com firmeza: “Isso não está em discussão”. Não troca Derrite, não adia votação, não recua.
Segundo ele, o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado será votado “amanhã”. A afirmação veio na segunda-feira à tarde, o que, em Brasília, é tipo prazo de validade de iogurte fora da geladeira.
O curioso é que, enquanto Motta ensaia coragem pública, governadores de direita, líderes da oposição e até parte da base pedem que a votação fique para dezembro. Em outras palavras: o Congresso pede calma, o governo pede tempo… e Motta pede que o universo conspire para que a promessa dele sobreviva até a sessão de terça.
Resta a dúvida que ninguém verbaliza, mas que paira no ar:
Hugo Motta está dando um grito de autoridade - ou um grito de desespero?
Amanhã saberemos. Ou não. Afinal… nuvens mudam. E em Brasília, mudam rápido.
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