
Os motoristas que trafegam pelo viaduto da Avenida Miguel Rosa amanheceram, desde esta segunda-feira (17/11), diante de um novo conjunto de regras rígidas impostas para evitar uma tragédia anunciada. A velocidade agora é limitada a 50 km/h, caminhões e veículos de carga estão proibidos de usar o elevado e devem obrigatoriamente seguir pelas vias inferiores. A Strans também iniciou a substituição das placas de sinalização para reforçar o alerta: o viaduto está sob risco e precisa de cuidados urgentes.
Essas medidas não surgiram por acaso. Foram motivadas por um relatório do Crea-PI, que identificou um afundamento de 13 centímetros na estrutura — um recalque significativo, suficiente para acender todas as luzes de alerta em qualquer cidade que leve a segurança pública a sério. Diante do risco potencial, as regras foram tratadas como urgência. E aqui começa a parte incômoda da história.
Porque, diante dessas medidas, a pergunta inevitável explode como um soco:
E se o viaduto colapsar?
Quem assume a responsabilidade? Quem será responsabilizado na Justiça se houver danos materiais — ou, pior, mortes? Será que alguém responderá objetivamente, ou teremos mais um capítulo da novela nacional chamada “ninguém viu nada”?
O problema é delicado, mas sobretudo antigo — e só agora as autoridades resolveram adotar medidas emergenciais. Por quê? Qual é o problema estrutural real envolvendo o viaduto? Por que só agora se reconhece publicamente que há risco? As medidas adotadas resolvem o problema ou são apenas soluções paliativas, um curativo improvisado em cima de uma fratura exposta?
O presidente do Crea-PI, Hércules Medeiros, foi direto: intervenções anteriores não resolveram nada. O recalque permanece, o risco continua e, agora, novas ações serão necessárias. Já a Prefeitura, por meio da SDU Sul, promete realizar uma “análise técnica detalhada” do relatório para decidir o que fazer. Mais uma análise, mais um estudo, mais uma rodada de espera — enquanto milhares de motoristas passam todos os dias sobre uma estrutura que já mostra sinais explícitos de fadiga.
Enquanto isso, a vida segue com improvisos. Motoristas de veículos leves precisam redobrar a atenção para não ultrapassar os 50 km/h. Caminhoneiros devem alterar rotas e horários, com impacto direto no transporte urbano e na logística de abastecimento. O problema muda a rotina da cidade inteira, mas ainda não recebeu a solução definitiva que deveria.
O viaduto, construído originalmente pelo DER e posteriormente repassado à Prefeitura de Teresina, já foi alvo de diversas intervenções ao longo dos anos. Acidentes — tombamentos, engavetamentos e perda de aderência — já demonstraram que ali nada funciona com plena normalidade. Agora, com risco estrutural declarado, o alerta é total.
A verdade é dura, mas simples:
A cidade precisa saber quem está cuidando do viaduto — e quem será responsabilizado se, por omissão, nada for feito a tempo.
Porque, quando uma estrutura apresenta um afundamento de 13 a 15 centímetros, quando caminhões são proibidos, quando a velocidade é reduzida, quando órgãos técnicos alertam para riscos, e quando medidas paliativas substituem ações definitivas, a pergunta se torna inevitável:
Vamos esperar o colapso para agir? Ou alguém finalmente terá a coragem institucional de assumir o problema e resolvê-lo antes que a história cobre seu preço?
DEGRADAÇÃO TOTAL? Desordenamento moral?
PLANEJAMENTO Planejar a vida também é pensar no amanhã
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