Domingo, 28 de Junho de 2026
28°

Tempo nublado

Teresina, PI

Curiosidade ENÍGMA HISTÓRICO

Marree Man: a nova linha gigante que desafia a ciência e entra para o hall dos mistérios da humanidade

Austrália revela um geoglifo colossal tão enigmático quanto as Linhas de Nasca, os Moais da Ilha de Páscoa e os templos monolíticos da Índia

16/11/2025 às 05h23
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
O miestério do caçador aborígene de Marree na Austrália - Foto: Reprodução
O miestério do caçador aborígene de Marree na Austrália - Foto: Reprodução

O planeta está repleto de monumentos que desafiam explicações racionais até mesmo dos cientistas mais progressistas. As estátuas gigantes da Ilha de Páscoa, as Linhas de Nasca, no Peru, e a majestosa e inexplicável cidade de Petra, esculpida em rocha viva na Jordânia, são exemplos clássicos de obras que ainda provocam debates, teorias e perplexidade.

Na Ásia, o fenômeno se repete: o monumental Templo de Kailasa, na Índia — entalhado em um único bloco de pedra, de cima para baixo — continua sendo uma das maiores proezas já registradas na história humana.

E agora, a lista de enigmas acaba de ganhar um novo capítulo: o Homem de Marree, um geoglifo gigantesco que surgiu do nada no interior da Austrália e permanece um completo mistério, quase 30 anos após seu aparecimento.

O que é o Homem de Marree?

Em 1998, uma figura colossal apareceu repentinamente em uma planície remota do Sul da Austrália. Com 3,5 quilômetros de altura e cerca de 28 quilômetros de perímetro, o desenho representa um homem nu, em posição de caça, empunhando um instrumento semelhante a um woomera, arma tradicional dos aborígenes usada para lançar lanças a longas distâncias.

Ele é hoje um dos maiores geoglifos já encontrados no planeta.

Um aparecimento quase sobrenatural

Segundo análises da NASA, o geoglifo surgiu entre 27 de maio e 12 de junho de 1998 — um intervalo de apenas 16 dias. Antes disso, não havia qualquer sinal de escavação, movimentação de terra ou presença humana na área.

Para criar traços tão precisos em uma área tão vasta, alguém precisaria de:

  • GPS de alta precisão (ainda raro e caro em 1998)

  • Equipamentos pesados de terraplanagem

  • Coordenação milimétrica visível apenas do ar

Nada disso passou despercebido — ninguém viu nada.

Mensagens anônimas, placas americanas e suspeitas militares

Pouco após a descoberta, hotéis e jornais da região começaram a receber faxes anônimos descrevendo o geoglifo. Os textos tinham expressões típicas do inglês norte-americano.

Dias depois, uma plaquinha com a bandeira dos EUA foi encontrada próximo à cabeça da figura.

Coincidência?

Talvez não.

A região fica perto de Woomera, onde operavam militares norte-americanos em conjunto com forças australianas. Além disso:

  • O GPS foi desenvolvido pela Marinha dos EUA

  • Na época, o controle militar americano sobre o sistema era restrito

  • Para desenhar algo tão gigantesco com precisão, GPS era indispensável

A teoria ganhou força — mas jamais foi confirmada.

Os sobrevoos com turistas são comuns em Marree para observar a figura do alto - Foto: Reprodução

O artista invisível

Outro suspeito é o artista australiano Bardius Goldberg, famoso por obras de grande escala. Amigos afirmam que ele insinuou ter criado o geoglifo. Mas Goldberg morreu em 2002 sem assumir nada.

Em 2018, o empresário Dick Smith ofereceu 5 mil dólares australianos a quem revelasse a verdade.
Ninguém apareceu.

Como foi feito? Do que é feito? O que se sabe?

O geoglifo é composto por sulcos de aproximadamente 30 cm de profundidade, esculpidos na superfície da planície. A técnica sugere:

  • Escavadeiras ou tratores adaptados

  • Uso intensivo de marcações no solo

  • Prováveis pontos de referência visuais guiados por GPS

Durante uma restauração em 2016, moradores encontraram 250 estacas de bambu alinhadas ao redor da figura — provavelmente marcadores originais usados para definir a forma.

O apagamento e o renascimento

Com o tempo, vento e erosão desgastaram o desenho.
Em 2016, moradores do pequeno distrito de Marree decidiram reviver o gigante.

Usando máquinas modernas, GPS de precisão e técnicas de drenagem, eles:

  • Reabriram o contorno original

  • Profundaram os sulcos

  • Criaram canais laterais para reter água da chuva

O resultado?
Agora o Marree Man é visível até por satélites de baixa resolução, graças ao crescimento de vegetação ao longo das bordas.

A restauração levou 60 horas de trabalho.

E aqui a imagem vista de um satélite - Foto: Reprodução

O impacto cultural

Com apenas 150 moradores, a cidade de Marree vive hoje um turismo modesto, porém constante.
Voos locais levam visitantes para observar o geoglifo — que é impossível de compreender a partir do solo.

Para muitos habitantes, o Marree Man é mais do que um desenho:
é um símbolo de mistério, isolamento e grandeza do deserto australiano.

E o mistério permanece…

Quase três décadas depois, permanecem três perguntas sem resposta:

  • Quem fez?

  • Como fez?

  • Por que fez?

O Homem de Marree se junta ao seleto grupo de enigmas arqueológicos planetários — obras tão gigantescas, precisas e inesperadas que parecem desafiar até a lógica moderna.

Assim como os moais, as linhas de Nasca, Petra e os templos monolíticos da Índia, o geoglifo australiano permanece como um lembrete de que o mundo ainda guarda segredos profundos, alguns esculpidos na terra, outros enterrados no tempo.

E talvez, como sempre, o maior enigma seja justamente este: a ausência completa de respostas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários