
O planeta está repleto de monumentos que desafiam explicações racionais até mesmo dos cientistas mais progressistas. As estátuas gigantes da Ilha de Páscoa, as Linhas de Nasca, no Peru, e a majestosa e inexplicável cidade de Petra, esculpida em rocha viva na Jordânia, são exemplos clássicos de obras que ainda provocam debates, teorias e perplexidade.
Na Ásia, o fenômeno se repete: o monumental Templo de Kailasa, na Índia — entalhado em um único bloco de pedra, de cima para baixo — continua sendo uma das maiores proezas já registradas na história humana.
E agora, a lista de enigmas acaba de ganhar um novo capítulo: o Homem de Marree, um geoglifo gigantesco que surgiu do nada no interior da Austrália e permanece um completo mistério, quase 30 anos após seu aparecimento.
Em 1998, uma figura colossal apareceu repentinamente em uma planície remota do Sul da Austrália. Com 3,5 quilômetros de altura e cerca de 28 quilômetros de perímetro, o desenho representa um homem nu, em posição de caça, empunhando um instrumento semelhante a um woomera, arma tradicional dos aborígenes usada para lançar lanças a longas distâncias.
Ele é hoje um dos maiores geoglifos já encontrados no planeta.
Segundo análises da NASA, o geoglifo surgiu entre 27 de maio e 12 de junho de 1998 — um intervalo de apenas 16 dias. Antes disso, não havia qualquer sinal de escavação, movimentação de terra ou presença humana na área.
Para criar traços tão precisos em uma área tão vasta, alguém precisaria de:
GPS de alta precisão (ainda raro e caro em 1998)
Equipamentos pesados de terraplanagem
Coordenação milimétrica visível apenas do ar
Nada disso passou despercebido — ninguém viu nada.
Pouco após a descoberta, hotéis e jornais da região começaram a receber faxes anônimos descrevendo o geoglifo. Os textos tinham expressões típicas do inglês norte-americano.
Dias depois, uma plaquinha com a bandeira dos EUA foi encontrada próximo à cabeça da figura.
Coincidência?
Talvez não.
A região fica perto de Woomera, onde operavam militares norte-americanos em conjunto com forças australianas. Além disso:
O GPS foi desenvolvido pela Marinha dos EUA
Na época, o controle militar americano sobre o sistema era restrito
Para desenhar algo tão gigantesco com precisão, GPS era indispensável
A teoria ganhou força — mas jamais foi confirmada.
Outro suspeito é o artista australiano Bardius Goldberg, famoso por obras de grande escala. Amigos afirmam que ele insinuou ter criado o geoglifo. Mas Goldberg morreu em 2002 sem assumir nada.
Em 2018, o empresário Dick Smith ofereceu 5 mil dólares australianos a quem revelasse a verdade.
Ninguém apareceu.
O geoglifo é composto por sulcos de aproximadamente 30 cm de profundidade, esculpidos na superfície da planície. A técnica sugere:
Escavadeiras ou tratores adaptados
Uso intensivo de marcações no solo
Prováveis pontos de referência visuais guiados por GPS
Durante uma restauração em 2016, moradores encontraram 250 estacas de bambu alinhadas ao redor da figura — provavelmente marcadores originais usados para definir a forma.
Com o tempo, vento e erosão desgastaram o desenho.
Em 2016, moradores do pequeno distrito de Marree decidiram reviver o gigante.
Usando máquinas modernas, GPS de precisão e técnicas de drenagem, eles:
Reabriram o contorno original
Profundaram os sulcos
Criaram canais laterais para reter água da chuva
O resultado?
Agora o Marree Man é visível até por satélites de baixa resolução, graças ao crescimento de vegetação ao longo das bordas.
A restauração levou 60 horas de trabalho.
Com apenas 150 moradores, a cidade de Marree vive hoje um turismo modesto, porém constante.
Voos locais levam visitantes para observar o geoglifo — que é impossível de compreender a partir do solo.
Para muitos habitantes, o Marree Man é mais do que um desenho:
é um símbolo de mistério, isolamento e grandeza do deserto australiano.
Quase três décadas depois, permanecem três perguntas sem resposta:
Quem fez?
Como fez?
Por que fez?
O Homem de Marree se junta ao seleto grupo de enigmas arqueológicos planetários — obras tão gigantescas, precisas e inesperadas que parecem desafiar até a lógica moderna.
Assim como os moais, as linhas de Nasca, Petra e os templos monolíticos da Índia, o geoglifo australiano permanece como um lembrete de que o mundo ainda guarda segredos profundos, alguns esculpidos na terra, outros enterrados no tempo.
E talvez, como sempre, o maior enigma seja justamente este: a ausência completa de respostas.
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