
Rafael Fonteles é um prodígio da matemática, isso ninguém discute. Mas, aparentemente, alguém esqueceu de avisá-lo que política não é equação de segundo grau, é regra de três com vírgula borrada, conta de dividir com divisor instável e, principalmente, cálculo emocional. E, como se sabe, cálculo emocional não vem com gabarito no final.
O governador insiste em dizer que não sabe de nada, não viu atrito algum entre PT e MDB e que está tudo “em perfeita harmonia”. Só faltou pedir para colocarem o tema na lousa e escreverem em giz colorido: “Não existe crise na base”. Porque, aparentemente, na cabeça dele, o conflito só existe se estiver registrado em ata, protocolado e com carimbo da Secretaria de Governo.
Mas a realidade, aquela chata que não obedece a matemática, está berrando.
O MDB está reclamando publicamente, João Mádison está quase pedindo socorro em código Morse, e o governo segue repetindo o famoso “não estou sabendo”, frase clássica do político que prefere um salto ornamental para longe do problema a enfrentar o óbvio.
É curioso. Um matemático capaz de resolver problemas complexos parece incapaz de resolver um de lógica básica:
Se PT + MDB ≠ paz, então temos um problema.
Mas Rafael continua ali, firme, dizendo que desconhece tensão. Desconhece? Pois é… também tem gente que desconhece gravidade, mas ela não deixa de existir por isso.
O governador parece acreditar na teoria política do avestruz: se enfiar a cabeça na terra, o problema desaparece. Infelizmente, não desaparece. E pior: sobra só o traseiro exposto, um alvo perfeito no tabuleiro da sucessão de 2026.
E aí chegamos ao ponto sensível:
A tal da chapa pura.
Que genialidade divina levou o governador a achar que excluir Themístocles Filho, um dos maiores articuladores do Estado, seria uma jogada brilhante? Talvez uma revelação matemática, talvez um cálculo mal resolvido, talvez um surto de autoconfiança algébrica. Independente da explicação, o resultado é um só: abriu-se uma rachadura que nem cola de porcelana dá jeito.
Porque política é assim: você tira um bispo do jogo sem oferecer compensação e depois se espanta porque o tabuleiro pegou fogo.
Aí Rafael, com toda serenidade do mundo, diz não ver nada de errado. É quase fofo. Parece aquele aluno genial que tira 10 em tudo, mas não entende por que ninguém gosta dele no recreio.
E tem mais: negar desentendimento entre PT e MDB já virou esporte radical. Se continuar assim, o governo vai abrir vaga para instrutor de ilusionismo.
A verdade é cristalina, e perigosa como cristal quebrado:
Traição na política não cicatriza, apenas se disfarça. E mal.
Rafael precisa entender que, na política, a matemática é outra:
Quem soma sozinho, divide a base.
Quem divide a base, subtrai poder.
E quem subtrai poder… multiplica crises.
Se o governador não fizer essa conta logo, 2026 fará por ele, e sem dó, porque a eleição nunca foi conhecida por sua delicadeza.
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