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Brasil DEBATE PÚBLICO

O debate que Chico Lucas tenta evitar, e que o Brasil não pode mais adiar

Ao atacar Caiado e tentar blindar o PL Antifacção de críticas, o secretário Chico Lucas ignora que enfrentar o crime organizado é hoje a maior prioridade do país, e que só um amplo debate político envolvendo governadores de todos os espectros poderá produzir uma lei realmente eficaz

14/11/2025 às 12h52 Atualizada em 14/11/2025 às 15h45
Por: Douglas Ferreira
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Secretário Chico Lucas - Foto: Reprodução
Secretário Chico Lucas - Foto: Reprodução

Chico Lucas erra o alvo: o combate às facções exige política, debate e coragem — não silêncio

O secretário de Segurança Pública do Piauí, Chico Lucas, reagiu com dureza às críticas do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, sobre o Projeto de Lei Antifacção e a PEC da Segurança. Mas, ao tentar desqualificar o debate dizendo que Caiado estaria “politizando um tema sério”, o próprio secretário escorrega para o mesmo terreno que acusa o adversário de pisar.
E aqui está o ponto central: não existe possibilidade alguma de enfrentar o crime organizado no Brasil sem politizar o tema.

Politizar, no sentido republicano, é discutir, ouvir, confrontar ideias, tensionar perspectivas, testar propostas e ajustar o que for necessário. O que não se pode fazer é partidarizar. E são justamente esses debates incômodos que Chico Lucas tenta empurrar para baixo do tapete.

Segurança pública hoje é prioridade das prioridades

O avanço das facções deixou de ser uma preocupação apenas de segurança e tornou-se o eixo que hoje organiza a política nacional, influenciando governabilidade, relações federativas, orçamento, controle territorial, sistemas prisionais, tráfico de armas e estabilidade institucional.

As facções já estão dentro das cidades, das instituições, das fronteiras e das redes digitais. Fingir que esse problema pode ser tratado como um expediente técnico ignorando a dimensão política é ingenuidade ou conveniência.

Nenhum tema no Brasil hoje supera o combate à faccionização do território nacional. Nenhum.

Ouvir governadores não é opção: é obrigação

A fala de Chico Lucas esbarra num paradoxo evidente: reforça que o PL Antifacção e a PEC são “técnicos e bem construídos”, mas despreza justamente quem tem experiência concreta para avaliar se o projeto funciona ou não na vida real: os governadores que enfrentam o crime organizado diariamente.

E nesse ponto não importa se o governador é de direita, esquerda ou centro.
O que interessa é o case, é o resultado, é o impacto direto sobre o combate às facções.

Caiado tem resultados e resultados importam

Ronaldo Caiado, goste-se dele ou não, tem um dos modelos mais bem-sucedidos de enfrentamento ao crime organizado no país. Os números, a queda dos assassinatos e a reorganização da segurança pública goiana são dados concretos.

Ignorar suas críticas não é só um erro político, é um erro técnico.

Elmano deve explicações que só ele pode dar

Se Caiado representa o exemplo da contenção, Elmano de Freitas, do Ceará, representa exatamente o oposto:
Por que o estado mais afetado pelo domínio faccional não consegue reagir?
Por que o crime organizado se enraizou tanto?
O que deu errado?

Ninguém está mais habilitado a responder do que o governador cearense. Excluí-lo do debate é amputar o diagnóstico.

E o Piauí também não pode se omitir

O Piauí vive uma ascensão de facções, embora ainda distante do quadro dramático do Ceará. Por isso mesmo, é um estado que pode contribuir mostrando o que funciona, o que falha e o que precisa ser aperfeiçoado antes que seja tarde.

Chico Lucas mira Caiado e perde o alvo principal

Ao dedicar mais energia a criticar Caiado do que a aprimorar o debate, Chico Lucas incorre no mesmo vício que condena: politiza ao negar a política.
O secretário afirma que o governador de Goiás cria um palanque. Mas não percebe que, ao rejeitar contrapontos, cria ele próprio um palanque ao avesso — o da blindagem ideológica.

A alegação de que o Brasil não deveria discutir o enquadramento das facções como terrorismo porque isso seria incoerente ou inviável é tão frágil quanto apressada. Não se trata de concordar ou discordar da tese, trata-se de debatê-la seriamente.

Silenciar a discussão não é solução:
é comodidade política travestida de tecnicismo.

O Brasil precisa de contrastes, choques de ideias e transparência

Nenhum projeto de lei sério nasce de consenso apressado. Leis nascem do conflito, da divergência, do teste, da crítica.
O que Chico Lucas chama de “coerência e serenidade” pode muito bem ser lido como conformismo burocrático e medo do contraditório.

Se o governo federal quer aprovar um PL realmente eficaz, precisa expor suas propostas ao debate público, ouvir todos os atores e, principalmente, trazer para a mesa:

– os que venceram as facções,
– os que perderam para elas,
– e os que estão no meio do caminho.

Só assim haverá um modelo que funcione nacionalmente.

O pior erro que o Brasil pode cometer agora é calar quem tem experiência

É tentador para governos de qualquer partido buscar unanimidade técnica para evitar desgastes políticos.
Mas quando o inimigo é o crime organizado, a unanimidade é um luxo perigoso.

O Brasil precisa discutir, tensionar, discordar, confrontar.
Precisa ouvir Caiado, Elmano, Rafael Fonteles, e todos os demais.

Porque, neste momento, politizar a segurança pública não é um risco: é uma necessidade institucional.

E o silêncio, não o debate, é o que mais interessa às facções.

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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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