
Para começar, é preciso dizer sem rodeios: "algo de errado não está certo" na CPI do suposto rombo da Prefeitura de Teresina. E o problema começa justamente por quem deveria garantir a imparcialidade da investigação. O presidente da Comissão, vereador Edilberto Borges, o Dudu, até pode estar cheio de boas intenções — mas fez parte da gestão que é alvo da própria CPI. E não está sozinho. É o velho dilema que transforma a investigação num teatro político: como confiar em uma apuração onde os investigadores são, eles mesmos, potenciais investigados?
Quem responde essa pergunta é o prefeito Silvio Mendes (União Brasil), autor da denúncia que deu origem à CPI, e que tem, como gestor público, fé pública para sustentar suas afirmações. Ao comentar o relatório preliminar apresentado por Dudu — que tenta negar a existência do rombo — Mendes resumiu com precisão cirúrgica o que muitos pensam:
“Era só o que faltava, o denunciado virar denunciante”.
A frase traduz o espírito de uma CPI que, mais uma vez, parece destinada ao famoso ritual das comissões na Câmara Municipal de Teresina: muito barulho político, pouca efetividade prática. Dudu, ao tentar desviar o foco e pedir auditoria sobre a atual gestão, acabou protagonizando uma cena que, no popular, só pode ser descrita como “o poste mijando no cachorro”.
Silvio Mendes também lembrou o óbvio, mas que precisa ser repetido:
O Tribunal de Contas do Estado reprovou as contas da gestão do ex-prefeito Dr. Pessoa;
A Câmara Municipal reprovou essas mesmas contas;
A Justiça determinou investigação;
E membros da gestão anterior foram presos.
Diante disso, Mendes ironizou:
“Vamos combinar o seguinte: vamos processar o Tribunal de Contas, o juiz, os policiais que prenderam, e vamos pedir à Câmara que reconsidere a reprovação das contas.”
Sobre o alegado déficit, Mendes mantém integralmente o discurso de que há, sim, dívidas herdadas e irregularidades registradas — embora reconheça que parte desse passivo vem de empréstimos contraídos antes da gestão Dr. Pessoa. Para ele, cabe agora aos órgãos de controle externo, e não à retórica parlamentar, determinar responsabilidades e aplicar as medidas cabíveis.
No fim das contas, a CPI parece caminhar para aquilo que muitas se tornaram: instrumentos de disputa política, com pouca utilidade para a transparência e para a responsabilização real. Afinal, em Teresina, quando foi que uma CPI resultou em reparação séria ao erário? A pergunta é retórica — e o enredo atual confirma isso mais uma vez.
Para concluir, é importante lembrar que o documento apresentado pela CPI ainda é um relatório preliminar, que obrigatoriamente será submetido ao crivo do plenário da Câmara Municipal. O vereador Pedro Alcântara (Progressistas) tem insistido em um ponto que causa estranheza até aos mais experientes: a comissão simplesmente não ouviu o principal personagem da história, o ex-prefeito Dr. Pessoa. Uma omissão tão ilógica quanto “ir a Roma e não ver o Papa”.
E, neste caso, o “Papa” — Dr. Pessoa — ainda precisa explicar os fatos perante os vereadores e a sociedade. Responder se houve "traquinagem e danação" na gestão dele. E se houve, por que foi omisso. Diante disso, é certo que a votação do relatório em plenário ainda vai render debates acalorados, contestações e muito barulho. Talvez seja prudente que os integrantes da CPI segurem a comemoração e deixem o champanhe para depois da votação final.
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