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Vacina que mata: falha em lotes da Excell 10 já deixa mais de 600 animais mortos no Brasil

Bactéria ativa aplicada no rebanho provocou uma das maiores crises sanitárias recentes, com Piauí no centro da investigação e silêncio do Ministério da Agricultura

13/11/2025 às 17h25 Atualizada em 16/11/2025 às 09h34
Por: Wagner Albuquerque
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Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

A morte repentina de caprinos, ovinos e bovinos no Piauí e em outros estados do Nordeste reacendeu um alerta nacional. O que começou como um mistério, animais morrendo em menos de 72 horas, com inchaço e perda de apetite, virou uma das maiores crises sanitárias recentes da pecuária brasileira. Após meses de investigação, veio a confirmação: dois lotes da vacina Excell 10 foram produzidos com bactérias ativas, aplicando nos animais a própria doença que deveria ser combatida. O fabricante, Dechra Brasil, reconheceu oficialmente a falha no processo de inativação e suspendeu temporariamente sua produção no país.

O problema não ficou restrito a uma região. Registros de mortes se multiplicaram no Piauí, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte e Pernambuco, além de casos em São Paulo. No campo, o impacto foi devastador: produtores viram rebanhos inteiros adoecerem em poucas horas, sem resposta a tratamentos. Laboratórios das universidades federais e institutos de pesquisa foram mobilizados, enquanto veterinários realizavam necropsias na tentativa de explicar a situação. Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura determinou o recolhimento dos lotes 016/2024 e 018/2024, mas ainda não apresentou um posicionamento definitivo sobre como a vacina foi aprovada sem detectar a falha.

A dimensão da tragédia só aumentou com o tempo. Dados atualizados do Ministério da Agricultura elevaram para 612 o número de mortes em investigação, e novas notificações continuam chegando por meio do sistema e-Sisbravet. A falha levantou questionamentos sérios sobre fiscalização, segurança biológica e controle de qualidade. Como lotes com patógenos ativos passaram por todos os processos sem serem barrados? Por que o Mapa permaneceu em silêncio mesmo após sucessivos pedidos de esclarecimento? Até agora, essas perguntas seguem sem resposta.

Apesar do impacto, autoridades reforçam que os produtores não devem abandonar o calendário de vacinação, já que a clostridiose é uma doença altamente letal e há imunizantes seguros no mercado. A Dechra promete indenizar os criadores e corrigir seus processos internos. Enquanto isso, o caso Excell 10 se transforma num alerta nacional: quando falha a linha de defesa sanitária, quem paga a conta é o produtor e agora, centenas de animais mortos revelam o tamanho dessa vulnerabilidade.

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