
A volatilidade da aprovação no Brasil sempre oscilou ao sabor do vento — e, no caso de Luiz Inácio Lula da Silva, esse vento sopra contra. O governo mergulha em uma crise de imagem impulsionada por promessas não cumpridas, declarações controversas e gestos políticos desconectados da realidade das ruas.
Os últimos episódios envolvendo a megaoperação no Rio de Janeiro e as declarações do presidente sobre o tráfico de drogas provocaram uma reação em cadeia que corroeu sua popularidade e expôs a fragilidade da narrativa petista sobre segurança pública.
Segundo a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (12), a desaprovação de Lula subiu de 49% para 50%, enquanto a aprovação caiu de 48% para 47%.
A diferença é pequena, mas o movimento é simbólico — e perigoso. A curva, que até pouco tempo parecia estável, inverteu o rumo e passou a apontar para baixo.
A pesquisa foi feita entre os dias 6 e 9 de novembro, com 2.004 entrevistados em todo o país e 95% de confiança. O período coincidiu com a repercussão da operação que deixou 121 mortos, tornando-se a mais letal da história do Rio de Janeiro.
E enquanto 67% dos brasileiros disseram aprovar a ação policial, apenas 25% a desaprovaram. Ou seja: o povo apoia a força do Estado — mas não vê essa força no governo Lula.
Durante viagem à Malásia, Lula decidiu filosofar sobre o tráfico de drogas e acabou pisando no campo minado da opinião pública. Disse que “os traficantes também são vítimas dos usuários” — e o país reagiu com indignação.
De acordo com a Quaest, 81% dos brasileiros discordam da declaração, apenas 14% concordam e 5% não souberam responder.
Foi um desastre político instantâneo.
Dias depois, o presidente ainda dobrou a aposta e classificou como “desastrosa” a operação policial no Rio, sem mencionar os quatro agentes mortos em serviço. Resultado: 57% dos brasileiros discordaram novamente.
Enquanto Lula escolheu se solidarizar com as famílias dos criminosos, o povo enxergou um presidente desconectado da dor dos policiais e da população sitiada pelo medo.
Nos bastidores do Planalto, a tentativa de reverter o desgaste tem custado caro — e sem resultados.
Somente nos últimos meses, o governo despejou milhões em campanhas publicitárias tentando vender a imagem de um governo “realizador”. Mas, como ironizam analistas, não há publicidade que resista a uma língua solta e a uma gestão confusa.
Cada vez que Lula improvisa um discurso, o marketing precisa improvisar um plano de contenção de danos.
O resultado é um círculo vicioso: o governo gasta, o presidente fala, o estrago cresce.
Com a escalada da violência e o domínio das facções criminosas em várias capitais, a segurança pública voltou a ser o principal problema do país para 38% dos brasileiros, segundo a mesma pesquisa — um salto de 8 pontos em apenas um mês.
A mensagem é clara: o cidadão quer ação, não discursos.
E o presidente que, em outros tempos, falava a língua do povo, hoje parece falar outra — a do descompromisso com a realidade.
O governo Lula enfrenta seu pior momento político desde o início do mandato. O discurso de compaixão seletiva, a ausência de resultados concretos e o distanciamento das pautas que mais afetam o brasileiro comum — como segurança e custo de vida — criam um vácuo de confiança.
E enquanto o governo tenta apagar incêndios com campanhas publicitárias, a população já se pergunta: quem vai apagar o fogo da insegurança e da desordem que consomem o país?
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