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Agrotóxicos no Brasil: o que é fato e o que é mito?

Especialista desmonta 10 ideias equivocadas sobre defensivos agrícolas e explica por que eles ainda são essenciais para a produção de alimentos

11/11/2025 às 10h03 Atualizada em 13/11/2025 às 08h10
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O debate sobre defensivos agrícolas no Brasil virou terreno de guerra ideológica. Enquanto ambientalistas tratam os produtos como “veneno”, pesquisadores apontam que herbicidas, fungicidas e inseticidas evoluíram, ficaram mais seguros e são fundamentais para manter a produtividade, garantir duas safras por ano e segurar o Brasil como potência alimentar. O engenheiro agrônomo Edivaldo Velini, da Unesp, reuniu dez dos mitos mais repetidos sobre o tema — e desmontou um por um.

Segundo ele, a falta de comunicação do setor abriu espaço para distorções. Dados oficiais mostram que o risco real é muito menor do que se imagina, que o Brasil é referência mundial em reciclagem de embalagens de defensivos e que a maior parte das narrativas viralizadas não tem base científica. A seguir, um resumo direto do que se sabe — sem espuma.


Resumo simples

Defensivos agrícolas evoluíram, são altamente regulados e usados de forma diferente em cada país. O Brasil, por ser tropical e ter duas safras por ano, precisa mais deles, mas isso não significa mais risco. Os produtos atuais usam doses menores, se degradam rápido e passam por monitoramento constante. O país também é líder mundial em logística reversa e reciclagem de embalagens. Em geral, os mitos mais comuns sobre “veneno”, câncer, intoxicação ou diferenças nutricionais entre orgânicos e convencionais não se confirmam quando olhamos a ciência e os dados.


Os 10 mitos desmontados

1. “Agrotóxicos aumentam mortes por intoxicação”

– Apenas 0,5% das intoxicações no país em 10 anos envolvem uso habitual de defensivos.
– A maioria das ocorrências é por erro de uso, suicídio ou produtos domésticos.
– Com uso correto, o risco é mínimo.

2. “Quem usa agrotóxico não tem compromisso ambiental”

– O Brasil é líder mundial em reciclagem de embalagens de defensivos: 95% retornam ao sistema.
– O índice supera EUA e Europa.
– A cadeia brasileira é referência global em logística reversa.

3. “Agrotóxicos proibidos na Europa são perigosos, mas liberados no Brasil”

– Cada país tem regras diferentes conforme clima, pragas e tecnologia.
– Em clima tropical, a degradação das moléculas é mais rápida.
– Novos produtos são mais seguros e aplicados em doses muito menores.

4. “Agrotóxicos reduzem o valor nutricional dos alimentos”

– Estudos mostram que alimentos orgânicos e convencionais têm nutrição praticamente igual.
– As pequenas diferenças encontradas não trazem impacto real à saúde.

5. “O Brasil é o país que mais usa agrotóxicos no mundo”

– Em volume total, sim.
– Mas o indicador correto é uso por hectare.
– Nesse ranking, o Brasil fica na 27ª posição, muito atrás de pequenos países tropicais.

6. “Todo brasileiro consome 7,6 litros de agrotóxico por ano”

– O número é metodologicamente errado: mistura volume total com população.
– Grande parte dos defensivos é usada em culturas que não viram alimento.
– O dado não mede exposição real.

7. “Agrotóxicos são a principal causa de câncer”

– O risco existe apenas em exposições ocupacionais inadequadas.
– Para consumidores, não há evidência de risco generalizado.
– Câncer é multifatorial: tabagismo, álcool e obesidade são os grandes vilões.

8. “Estamos sendo envenenados quando comemos alimentos com agrotóxicos”

– A Anvisa monitora resíduos e não encontrou risco crônico em nenhuma molécula analisada.
– 99,3% das amostras estão dentro dos limites.
– Resíduos podem ser reduzidos com lavagem simples.

9. “Orgânicos são mais seguros e sempre melhores para o ambiente”

– Orgânicos também têm risco microbiológico e impacto ambiental.
– Estudos mostram presença de salmonela e enterobactérias semelhante à do cultivo convencional.
– Nenhum sistema é risco zero.

10. “Agrotóxicos contaminam rios e água para sempre”

– Pesquisas mostram que os níveis encontrados são muito abaixo dos limites seguros.
– A maior molécula detectada ficou em 1/16.000 do limite permitido.
– O pesquisador aponta inconsistências na legislação que ignora medicamentos e hormônios que chegam à água por esgoto.

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