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Política PL ANTIFACÇÃO

Hugo Motta e o Teatro do Poder: entre a pressa, o cálculo e o caos

Sem consenso e com contradições, o presidente da Câmara transforma o PL Antifacção em palco de disputas políticas, recuos estratégicos e movimentos que levantam mais suspeitas do que soluções

11/11/2025 às 08h29 Atualizada em 11/11/2025 às 13h47
Por: Douglas Ferreira
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Presidente da Câmara Hugo Motta - Foto: Reprodução
Presidente da Câmara Hugo Motta - Foto: Reprodução

Sem consenso, sem rumo e — talvez — sem pudor: os movimentos de Hugo Motta no tabuleiro do poder

Quando falta acordo, sobra esperteza. Ou oportunismo. Ou vaidade. Ou tudo junto — e misturado. Eis Hugo Motta, presidente da Câmara, transformando a votação do PL Antifacção num espetáculo político que mistura improviso, cálculo e, claro, aquela pitada de caos que Brasília tanto aprecia.

Ele escolhe como relator um adversário declarado do governo. Depois atravessa a Praça dos Três Poderes para “ter com” Alexandre de Moraes no STF — porque nada diz “independência institucional” como pedir bênção de toga. E agora empurra para votação um projeto polêmico, complexo, sensível e explosivo... sem consenso, sem maturação política, sem base sólida. Apenas com pressa. A pergunta se impõe: pressa pra quê? E pra quem?

O enigma Motta: estratégia, exibicionismo ou jogo duplo?

A atitude parece, no mínimo, contraditória. No máximo, ensaiada. Hugo Motta, que deveria ser maestro, pinta-se como pirotécnico. Por quê?

  • Para marcar território perante o governo?

  • Para mandar recado à oposição?

  • Para mostrar musculatura às corporações?

  • Ou simplesmente porque na Brasília de 2025 a lógica é o improviso permanente?

Nada é por acaso no Congresso. E o improviso, quando cuidadosamente encenado, costuma esconder algo maior. Motta parece gostar de ser o árbitro das tensões — mas também o protagonista. Um estilo meio kamikaze, meio bombeiro… conforme sopra o vento.

A treta da PF: autonomia por um fio e muito ruído

O relator Guilherme Derrite tentou dar um “presente” aos governadores: a PF só atuaria com autorização formal dos estados. A Polícia Federal, óbvio, reagiu. Com nota dura. Sem firulas. A proposta, segundo a PF, comprometia o interesse público e enfraquecia investigações de grande porte.

Derrite recuou. Motta recuou junto. Mas recuo, em Brasília, nunca é total — sempre é calibrado. E o governo, especialmente o PT, não comprou o “meio-termo”. Lindbergh classificou o texto como uma tentativa de “domesticar a PF”.

Domesticar a PF. Eis uma frase que dói nos ouvidos e que revela o ponto central da crise: quem manda na Polícia Federal?

O Executivo acha que deve ser o Estado. A oposição acha que o Estado, mas não esse governo. Os governadores querem ter voz. E a PF não quer ser subalterna de ninguém. Resultado? Batalha institucional cotidianamente reaberta — e explorada.

Terrorismo, facções e o medo do mercado

A oposição queria equiparar facções a terroristas. O mercado gritou antes do governo: “Não façam isso”. Não porque se preocupem com segurança pública, mas porque lei de terrorismo assusta capital. Fundos internacionais fogem mais rápido que faccionados em dia de operação.

Motta ouviu. Derrite acatou. A classificação não entrou no texto.

Mas entrou algo quase igual: penas equivalentes às de terrorismo.

Não chama de terrorista, mas pune como tal. O famoso “parece, mas não é”. Mais um aceno ao conservadorismo penal — sem o custo jurídico de mexer na Lei Antiterrorismo.

O que está por trás?

Eis o núcleo da provocação:

  • Hugo Motta quer mostrar força?

  • Quer comandar as tensões entre governo, PF e governadores?

  • Quer ser referência do centrão?

  • Quer blindar aliados estratégicos?

  • Ou quer apenas garantir que todos dependam dele?

Brasília funciona assim: quando todos discordam, alguém fica mais forte. Geralmente quem controla a pauta.
E quem controla a pauta — hoje — é Hugo Motta.

Conclusão: política de alto risco, com cheiro de ensaio geral

O PL Antifacção virou um laboratório de conflitos:

  • governo X oposição

  • governo federal X governadores

  • PF X políticos

  • mercado X narrativas públicas

  • e, acima de todos, Hugo Motta X todos eles

A votação desta terça-feira promete mais faísca do que luz. O texto está longe de consensual. Os embates prometem. A insegurança jurídica paira. E o Brasil, claro, assiste ao espetáculo.

A pergunta que não cala:
Hugo Motta quer aprovar um projeto ou quer ser o protagonista de um enredo?

Porque, até agora, parece mais interessado nas câmeras do que na coerência.

E, convenhamos, o Brasil já tem facções demais para lidar. Falta é liderança sólida — não pirotecnia.

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Luiz Humberto A. Silveira Há 8 meses Teresina-Pi Isso é um palhaço ???? de circo da pior qualidade
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A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
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