Domingo, 28 de Junho de 2026
33°

Tempo nublado

Teresina, PI

Política PROJETO ANTIFACÇÃO

O alerta dos 'figurões': o mercado não fala — ele avisa

Analistas e grandes investidores elevam o tom e revelam sinais de instabilidade que podem impactar câmbio, consumo e investimentos, deixando claro que o momento exige atenção redobrada

10/11/2025 às 18h53 Atualizada em 10/11/2025 às 19h03
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
Deputado Hugo Motta, presidente da Câmara Federal - Foto: Reprodução
Deputado Hugo Motta, presidente da Câmara Federal - Foto: Reprodução

Figurões do mercado e o PL Antifacção: que medo é esse?

A notícia divulgada pelo Metrópoles de que “figurões” do mercado financeiro teriam procurado o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o relator do projeto antifacção, Guilherme Derrite, para alertar sobre os riscos de classificar facções criminosas como grupos terroristas, causa, no mínimo, perplexidade. Medo de quê? Receio de quem? Preocupação com o quê? E, principalmente, por quê?

A narrativa soa estranha desde o início. Que “figurões” são esses? Por que não se diz o nome, o setor, a função, a posição? Por que tamanha discrição? Quando o assunto envolve o país ser supostamente prejudicado por uma classificação jurídica — que nada muda na prática criminosa, apenas reconhece o óbvio — seria natural que os tais “preocupados” tivessem a coragem de falar às claras. Mas não. Preferiram o anonimato. Ou seja, opinam sobre o destino do Estado brasileiro sem assumir publicamente a autoria da opinião.

Segundo a matéria, o medo seria “mercadológico”: fundos e multinacionais teriam em seus estatutos cláusulas que impedem investimentos em países que “abrigam terroristas”. A frase em si é reveladora. O Brasil, segundo esta lógica, passaria a “abrigar terroristas” caso reconhecesse que facções criminosas atuam como... terroristas. Perceba o absurdo: o problema não é a prática criminosa. O problema é o nome dado à prática.

É como esconder um cadáver tirando a palavra “cadáver” do dicionário. Será que funciona?

E aqui mora a maior contradição: os atos praticados por facções — execuções, esquartejamentos, domínio territorial, imposição de regras, coerção à população, sequestro, corrupção policial, ataque organizado contra o Estado — não são atos terroristas? Não produzem medo generalizado? Não subjugam comunidades? Não desafiam a soberania estatal?

O argumento soa infantil, quase cínico. Ou pior: conveniente.

Guilherme Derrite relator do projeto antifacção - Foto: Reprodução

Quando parte do mercado se preocupa mais com o rótulo do crime do que com o crime em si, abre-se um flanco perigoso. Tão perigoso que se torna inevitável uma pergunta: quem ganha com a não classificação? A quem interessa suavizar a nomenclatura? Por que “terroristas” assusta o mercado, mas “facções” não?

Será que parte do mercado — e aqui falamos de parte, nunca de todo — convive bem com a presença do crime organizado? Será que alguns setores consideram aceitável a existência de zonas dominadas, controle paralelo e lavagem de dinheiro que circula silenciosamente no interior de sistemas econômicos?

Pode parecer exagero. Mas quando os tais figurões, pressionando deputados da Câmara, alertam sobre “risco ao rating”, “fuga de capital” e “perda de confiança”, a perplexidade aumenta. Como assim? O Brasil já não sofre com esses fenômenos justamente pela insegurança pública crônica? Pela falta de controle estatal? Por facções que atuam livremente?

A ironia final é brutal: os figurões que tentaram fazer um alerta podem ter provocado o efeito contrário. Um alerta ainda maior. E não apenas sobre os riscos de classificar facções como terroristas — mas sobre os riscos de acreditar que o mercado está sempre do lado da sociedade.

Às vezes, o mercado fala. Às vezes, cochicha. E às vezes, silencia — principalmente quando a transparência pode incomodar.

Uma coisa, porém, é certa: o cidadão comum, que paga imposto, sofre com a violência e vive sob o jugo de facções que controlam bairros inteiros, começa a se perguntar quem é que realmente governa o Brasil.

E essa pergunta, à luz dos fatos, não é só pertinente. É necessária. Urgente. E inevitável.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
A NOTÍCIA E O FATO
A NOTÍCIA E O FATO
Sobre Douglas Ferreira é multimídia. Além de jornalista, é bacharel em Direito. Foi repórter da TV Clube, afiliada da Rede Globo, por 10 anos e, em Caxias, no Maranhão, apresentou o programa “Fala Caxias”. Fundou e dirigiu por seis anos a Folha do Cocais. Foi secretário de Comunicação da Prefeitura de Caxias e retornou a Teresina como âncora da TV Meio Norte. Por 20 anos, reportou e apresentou na TV Antena 10, afiliada da Record. Também foi assessor de imprensa do Tribunal de Justiça do Piauí e passou por rádios e pelos maiores portais do Estado. Sua vida é o jornalismo. No Sistema Move de Comunicação, foi editor do Portal Move Notícias e apresentador do Business Cast, do canal movetvweb no YouTube. Agora, está à frente do Gazeta Hora1.
Teresina, PI Atualizado às 12h01 - Fonte: ClimaTempo
33°
Tempo nublado

Mín. 23° Máx. 32°

Seg 36°C 22°C
Ter 36°C 21°C
Qua 36°C 20°C
Qui 37°C 23°C
Sex 36°C 25°C
Horóscopo
Áries
Touro
Gêmeos
Câncer
Leão
Virgem
Libra
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes