
O Brasil tem 203 milhões de habitantes, mas parece que metade deles se chama Maria. E a outra metade, Francisco. O IBGE acaba de lançar a nova edição do projeto Nomes no Brasil, atualizada com os dados do Censo Demográfico 2022, e os piauienses provaram que tradição é coisa séria. No Piauí, Maria e Francisco são imbatíveis. Já entre os sobrenomes, o clássico Silva reina soberano — com o Sousa logo atrás, firmando o sotaque nordestino até no registro civil.
O levantamento revelou mais de 140 mil nomes próprios e 200 mil sobrenomes registrados em todo o país. No ranking nacional, os campeões continuam sendo Maria e José, uma dupla que, se fosse banda, já teria disco de ouro e turnê internacional. No Piauí, a parceria é Maria e Francisco — um verdadeiro casamento cultural entre a devoção e a tradição.
E não é pouca coisa: 381.520 piauienses atendem por Maria, o que representa 11,66% da população total do estado. Dá pra formar um “Maria City”, com direito a prefeitura, câmara e até um bloco carnavalesco só delas. Já Francisco aparece em 130.465 registros, ou 3,99% dos piauienses. O pódio segue com José, Antônio, João, Ana, Francisca, Raimundo, Antônia e Pedro — uma lista que parece saída de um batizado coletivo dos anos 60.
Mas o IBGE foi além da curiosidade. A plataforma Nomes no Brasil agora também permite descobrir a idade mediana de quem carrega cada nome e visualizar linhas do tempo de popularidade. No caso de Maria, o auge foi entre 1960 e 1969, com quase 70 mil registros. Depois, veio o declínio — talvez por saturação mesmo, já que quase todo mundo já conhecia uma Maria. Mas o nome ressurgiu nos anos 2000 com fôlego renovado, provando que clássico é clássico.
Entre os nomes femininos mais populares, além de Maria, aparecem Ana, Francisca, Antônia, Raimunda, Rosa, Joana, Lara, Rita e Amanda. Entre os masculinos, seguem firmes Francisco, José, Antônio, João, Raimundo, Pedro, Carlos, Luís, Marcos e Manoel. Um verdadeiro encontro de gerações — de Manuelzões aposentados a pequenos Gaéis em tempo de creche.
Falando em sobrenome, Silva continua imbatível: 771.651 piauienses carregam o peso (e o orgulho) dessa marca, o equivalente a um quarto da população do estado. Logo depois vem Sousa (15,21%), Santos (10,94%), Oliveira (6,33%) e Pereira (5,83%). É como se, no Piauí, cada esquina tivesse um Silva vendendo cuscuz e um Sousa tocando sanfona.
E se você acha que só no Piauí é assim, o IBGE mostra que o Nordeste inteiro é um festival de nomes tradicionais. Em Buriti dos Montes (PI), por exemplo, Antônio é quase unanimidade — 10% da população tem o nome. Já em Morrinhos e Bela Cruz (CE), quase um quarto das pessoas se chama Maria. É tanto santo junto que o padroeiro deve ter fila pra atender pedido.
A nova plataforma também revela como as modas mudam. Nomes como Osvaldo e Terezinha já foram sinônimo de elegância — hoje, estão com idades medianas de 62 e 66 anos. Enquanto isso, Gael e Helena despontam entre os bebês, com idade mediana de 1 e 8 anos, respectivamente. É a prova viva de que, se antes o sonho era ter nome de santo, hoje o objetivo é ter nome de novela ou de personagem da Netflix.
Para completar, o IBGE incluiu uma seção chamada “Nomes no Mundo”, um mapa interativo que mostra os nomes mais comuns em outros países. Dá pra descobrir, por exemplo, que Wang é o “Silva” da China — e que 1.513 brasileiros atendem por esse sobrenome. Ou que na Bolívia o casal preferido é Juan e Juana.
O levantamento ainda garante sigilo estatístico: nomes com menos de 20 registros não aparecem — o que significa que se você se chama Kalyllyney ou Jhuzéyffer, pode relaxar, seu nome é mesmo único.
No fim, o novo Nomes no Brasil é mais que um banco de dados — é um espelho do país. Mostra como a cultura, a fé e até a moda batismal se transformam com o tempo. No Piauí, pelo visto, mudar de governo, de moda ou de clima é possível — mas mudar de nome? Aí já é demais. Afinal, quem ousaria competir com uma Maria Silva ou um Francisco Sousa?
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