
A COP30 começou — e já entrou para a história. Mas não como a “COP da Amazônia”, tampouco como o símbolo da liderança climática global sonhada por Lula. Entrou como a mais tupiniquim, a mais improvisada e a mais vazia de todas.
Ao contrário do que o governo federal alardeou por meses, o evento que deveria recolocar o Brasil no centro do debate climático global nasceu em marcha lenta, com público diminuto e prestígio diplomático inexistente.
Apenas 17 chefes de Estado deram as caras em Belém, número pífio diante das 75 a 120 lideranças que marcaram presença nas edições anteriores da COP.
O contraste é constrangedor. Na Rio-92, marco da diplomacia ambiental brasileira, foram 108 chefes de Estado.
Três décadas depois, o país volta a sediar uma cúpula global — e o mundo simplesmente não apareceu.
O governo tenta minimizar o fiasco, alegando que mais líderes devem chegar “nos próximos dias”. Mas nem o otimismo forçado do Planalto mascara a ausência das potências. Estados Unidos, China e Rússia, três dos países que mais poluem e que mais influenciam as decisões ambientais do planeta, ignoram solenemente a COP30 de Lula.
Donald Trump, o líder da maior democracia e da economia mais rica do planeta, não veio.
Xi Jinping, do maior país comunista, também não.
Vladimir Putin, o “comunista engravatado” da Rússia, nem sinalizou interesse.
É despeito? Desinteresse? Ou o sintoma de um Brasil sem voz nem peso no tabuleiro mundial? Nem Lula, nem Janja, nem o Itamaraty sabem responder.
Se a ausência dos grandes líderes já doía, o fiasco social da primeira-dama Janja da Silva coroou o constrangimento. O coquetel de abertura, preparado para impressionar dignitários e selar o glamour “verde e progressista” da nova diplomacia petista, terminou em fiasco absoluto.
Nenhum chefe de Estado convidado compareceu. Repito, nenhum!
Janja ficou sozinha no salão — dançando, literalmente, com as paredes.
Lula, que tentou salvar a cena, saiu discretamente, percebendo o tamanho do desastre.
Dos 17 presentes, três nem governam de fato — são reis e príncipes de pequenos reinos europeus.
Entre os que exercem poder real, destacam-se presidentes de microestados quase invisíveis no mapa, como Palau (17 mil habitantes) e Comores, arquipélagos que juntos somam menos gente que um bairro de Belém.
A lista de países participantes é tão curta que começa na letra C, de Chile. Com iniciais A e B, nenhum país.
Se fosse o jogo do bicho, o número 17 — que simboliza a COP brasileira — teria duplo significado. Como dezena, representa o Cachorro; como grupo, o Macaco.
E, ironicamente, ambos os símbolos cabem bem ao cenário. De um lado, o Brasil submisso, abanando o rabo por reconhecimento internacional que não veio.
De outro, o governo pulando de galho em galho, tentando salvar a imagem de um evento que começou pequeno e terminou menor.
Enquanto o Planalto tenta transformar fracasso em narrativa, a verdade é que a COP30 revelou um Brasil isolado, retórico e sem credibilidade ambiental real.
O discurso de “líder global do clima” não se sustenta quando as maiores potências simplesmente viram as costas.
O que deveria ser um marco histórico virou uma metáfora cruel: um palco caro, um auditório vazio e um governo que fala sozinho — para um mundo que, desta vez, preferiu não ouvir.
ESCOLA DO RECIFE Tobias Barreto de Menezes: o jurista que revolucionou o pensamento jurídico brasileiro
NAS MÃOS DOS COIOTES Fugindo do “inferno”: por que milhares de cubanos agora escolhem o Brasil para recomeçar a vida?
ATENAS ALAGOANA Penedo: a Atenas do Nordeste que encantou Dom Pedro II e preserva quase cinco séculos de história às margens do Velho Chico
REJEIÇÃO INTERNA Vinícius Dias expõe resistência no PT e revela por que Iasmin recuou da suplência
POLÍCIA FEDERAL Quanto mais mexe, mais fede: cerco da PF aperta e Jaques Wagner vira problema para o Planalto
ACESSO A PF E PGR Vorcaro não queria influência. Queria acesso ao topo da República
JUSTIÇA DO TRABALHO Maria Suzete Monte Diógenes: uma vida dedicada à Justiça, ao conhecimento e ao serviço público
PROPINODUTO MASTER A queda da engolideira: quando o Banco Master deixou de ser banco para virar máquina de poder
TURISMO AMERICANO Ranking revela as melhores cidades dos Estados Unidos em 2026: por onde começar a realizar o sonho americano?
Mín. 23° Máx. 32°