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Carne de girassol pode virar a nova estrela das proteínas vegetais

Pesquisa brasileira transforma resíduo da produção de óleo em ingrediente nutritivo e sustentável que rivaliza com soja e ervilha

07/11/2025 às 10h31
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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Um estudo conduzido pela Unicamp, em parceria com o instituto alemão Fraunhofer IVV e o Ital, revelou que o girassol pode ganhar um novo papel na indústria alimentícia: servir como base para carne vegetal. A pesquisa utilizou farinha refinada das sementes, até então tratada como subproduto da produção de óleo e desenvolveu um produto com sabor neutro, textura firme e alto valor nutricional. O resultado aponta para uma alternativa promissora às proteínas de soja e ervilha, que dominam o mercado hoje.

O processo começa com a retirada do óleo e da casca escura das sementes, eliminando compostos responsáveis pelo amargor e pela coloração mais intensa da farinha. O miolo é então moído e refinado até virar uma base clara, rica em proteínas e minerais. Com esse insumo, os pesquisadores criaram duas versões de carne vegetal: uma feita com farinha de grãos torrados e outra com proteína texturizada de girassol, esta última apresentou desempenho superior em testes de sabor, estrutura e consistência.

As análises nutricionais reforçaram o potencial do ingrediente. A carne de girassol atingiu cerca de 20% de proteínas e alta concentração de gorduras boas, como os ácidos graxos monoinsaturados, semelhantes aos presentes no azeite. Além disso, uma única porção fornece quase toda a recomendação diária de magnésio e oferece quantidades significativas de ferro, zinco e manganês, o que a coloca como uma opção completa dentro do universo das proteínas vegetais.

O Brasil surge como candidato natural para liderar essa nova fronteira alimentar, já que o cultivo de girassol cresce rapidamente nas regiões Centro-Oeste e Sul. Transformar o resíduo da indústria de óleo em uma proteína vegetal de alto valor agrega sustentabilidade, amplia a cadeia produtiva e abre espaço para novos produtos, como hambúrgueres e embutidos. O próximo passo dos pesquisadores é aperfeiçoar o processo de extrusão controlada, tecnologia responsável por criar as fibras e o aspecto visual que aproximam o produto da carne tradicional.

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