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Acordo entre EUA e China derruba prêmios e paralisa vendas de soja brasileira

Reaproximação entre Donald Trump e Xi Jinping gera incerteza no mercado e reduz vantagem competitiva do Brasil

01/11/2025 às 17h28
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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O novo acordo comercial entre Estados Unidos e China já provocou impacto direto no mercado de soja do Brasil. Após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, realizado em Busan, na Coreia do Sul, o mercado reagiu com queda de US$ 0,15 a US$ 0,20 por bushel nos prêmios do porto de Paranaguá (PR) — valor que representa o diferencial entre a cotação de Chicago e o preço de exportação brasileiro. O resultado foi imediato: as negociações de soja pararam.

“O comprador desapareceu e agora tenta entender o que foi acordado”, afirmou o analista Adriano Lo Turco, da Agroconsult. O anúncio de Trump, de que a China voltará a comprar “tremendas quantidades” de soja americana, animou os investidores internacionais. Segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent, o país asiático comprará 12 milhões de toneladas até janeiro e 25 milhões por ano nos próximos três anos — números que ainda geram dúvidas sobre como serão contabilizados.

A notícia impulsionou os contratos futuros de soja em Chicago, que subiram 1,5% apenas nesta sexta (31) e 2,3% nos últimos três dias. Mas para o produtor brasileiro, o cenário é negativo: a alta nas bolsas não compensa a queda nos prêmios internos, reduzindo o valor recebido em reais. “Fechou-se uma janela de oportunidade da safra velha e os preços da nova safra serão pressionados”, avaliou Lo Turco. Analistas do Rabobank e da StoneX alertam que, se houver safra recorde em 2026, os prêmios podem ficar até negativos.

Apesar da turbulência de curto prazo, especialistas acreditam que o Brasil continuará líder nas exportações de soja. Em 2025/26, o país deve vender 112 milhões de toneladas, contra 47 milhões previstas para os EUA, segundo o USDA. O acordo, no entanto, é visto como um gesto político de Trump para reforçar apoio no Meio-Oeste americano, enquanto a China segue diversificando seus fornecedores, com a América do Sul — especialmente o Brasil — mantendo papel dominante no mercado global.

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