
Dando uma olhada rápida no meu Facebook — sim, eu ainda uso o Face — deparei-me com um post de uma amiga querida que expõe um quadro periclitante sobre a segurança pública no país. Ou melhor: sobre a falta dela.
Segundo a juíza Loisima Barbosa Bacelar Miranda Schiess, o Brasil parece estar tomado de assalto pelas facções criminosas. O texto da magistrada retrata exatamente o que nós, aqui no Gazeta Hora 1, já vínhamos percebendo e denunciando. Aliás, nesta semana escrevemos mais um artigo sobre o mesmo tema.
Só no Rio de Janeiro, estima-se que 4 milhões de pessoas vivam reféns do narcotráfico e das facções criminosas. No Brasil, o número é ainda mais alarmante: 28 milhões de brasileiros convivem sob o domínio direto de facções ou milícias, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo próprio Fórum, mostra que o número de pessoas que relatam a presença do crime organizado em seus bairros aumentou significativamente. Estados como Ceará e Bahia são exemplos vivos dessa expansão. Nessas regiões, o narcotráfico já atua em diversas áreas e segmentos da economia local, tornando-se uma estrutura paralela de poder.
“As facções estão mandando nas cidades”, relata a juíza.
“Viajei há dois meses para Porto Seguro e uma amiga me disse: ‘Aqui quem manda é a facção tal’.
Em Parnaíba, aqui no Piauí, quem manda é outra facção.
Em Timon, o mesmo.
Em Teresina, há jovens que não podem visitar a própria mãe porque ela mora em território controlado por grupo rival”.
A magistrada segue com um relato estarrecedor:
“Em Fortaleza, o governador liberou carros da polícia para fazer mudanças de pessoas expulsas de uma favela pela facção dominante. Ou seja, o Estado não enfrenta o crime; se submete a ele, protegendo quem se recusa a pagar as taxas impostas pelo poder paralelo”.
E então surge a pergunta inevitável, que ecoa como um grito de desespero coletivo:
Quem realmente manda neste país?
A juíza Loisima vai além:
“Precisamos nos desvestir das ideologias e aceitar que estamos nas mãos dos narcos. Podem ser traficantes, terroristas ou simplesmente pessoas que, por não terem a certeza da proteção do Estado, se entregam a qualquer coisa”.
Ela faz um apelo emocionado:
“Temos que pensar no nosso país. Esquecer as diferenças ideológicas e nos unir para salvar o Brasil, antes que todos afundemos num poço sujo e profundo, de onde o retorno será impossível”.
A Dra. Loisima Miranda conseguiu, em um texto simples e corajoso, sintetizar o sentimento preso no peito do brasileiro comum: a angústia, o medo e a impotência diante de um Estado que parece ter abdicado de seu dever mais básico — garantir segurança e justiça.
Mais do que um alerta, o que ela fez foi um grito. Um pedido desesperado para que o Brasil desperte dessa letargia antes que as facções — esse câncer social — entrem em metástase nacional, corroendo definitivamente a moral, a ética e a esperança do povo.
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