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Polícia Federal desarticula esquema de contrabando no Piauí

PF cumpre 15 mandados e afasta servidores da Receita envolvidos em descaminho de eletrônicos de alto valor

04/09/2024 às 17h14 Atualizada em 05/09/2024 às 09h25
Por: Wagner Albuquerque
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Aparelhos celulares de alto valor foram apreendidos - Foto: Reprodução
Aparelhos celulares de alto valor foram apreendidos - Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (4) a Operação Handbrake, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em contrabando e descaminho de produtos eletrônicos de alto valor. A operação teve como alvos os estados da Bahia, Piauí e Pará, com foco em servidores da Receita Federal (RFB) envolvidos no esquema. No total, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, sendo que 8 deles ocorreram em Teresina, capital do Piauí.

Em Teresina, a operação mobilizou grande parte dos recursos, reforçando a relevância da cidade no esquema criminoso. O grupo utilizava a capital piauiense como um dos principais pontos de distribuição dos eletrônicos contrabandeados, com servidores da Receita Federal atuando para facilitar a entrada dos produtos no Brasil. Quatro desses servidores foram afastados de seus cargos, acusados de negligenciar a fiscalização das mercadorias.

As investigações revelaram que a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões entre abril de 2023 e agosto de 2024. Parte desse valor foi identificada em contas e bens dos envolvidos, que tiveram seus patrimônios sequestrados e valores bloqueados pela justiça. A operação também contou com o apoio da Corregedoria da Receita Federal, que investigava os servidores afastados, alguns dos quais já respondiam por envolvimento em esquemas semelhantes.

A investigação começou em janeiro de 2024 e, durante esse período, três integrantes da quadrilha foram presos em flagrante enquanto transportavam produtos eletrônicos irregulares. As apreensões ocorreram nas cidades de Juazeiro (BA), Belém (PA) e Guarulhos (SP), fortalecendo as evidências contra o grupo.

Em Teresina, a PF destacou que o volume de produtos e a participação de servidores públicos na organização criminosa reforçam a importância de ações conjuntas para desmantelar redes de contrabando na região. Os envolvidos podem ser processados por crimes de organização criminosa, contrabando, descaminho e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar a 39 anos de prisão.

A Operação Handbrake chamou atenção pela complexidade e alcance da organização criminosa, que operava tanto no exterior quanto no Brasil, utilizando servidores públicos para facilitar a entrada e distribuição dos produtos. O caso reforça a importância de maior controle sobre o comércio internacional e a atuação de servidores em zonas estratégicas, como o Piauí.

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