
A Comunicação Social é um pilar constitucional. Serve para informar, esclarecer e dar transparência ao uso do dinheiro público.
Mas parece que no governo Rafael Fonteles, o princípio virou licença para fazer marketing político — e dos caros! Porque publicidade, meu amigo, é coisa séria... mas no Piauí virou piada de mau gosto.
A gestão atual ama uma câmera ligada e um outdoor bem pago. E não economiza quando o assunto é promover o próprio governo. O problema é que, entre a intenção de comunicar e a execução, o que se vê é um festival de trapalhadas milionárias.
E o maestro desse espetáculo é o secretário de Comunicação, Marcello Noleto, que parece ter transformado a Secom num laboratório de gafes institucionais.
O primeiro escândalo veio com as “bandeirolas do Piauí”. Uma decoração festiva que teria custado R$ 13 milhões — ou, segundo o secretário, “não exatamente isso”.
Ele gravou vídeo, disse que era “fake news”, mas não mostrou documentos, notas fiscais ou licitações. Ora, se o gasto é legítimo, por que esconder as notas? A transparência, que deveria ser regra, virou personagem desaparecida nessa novela.
E quando achávamos que nada poderia ser mais desastroso, veio o vídeo racista.
Uma peça publicitária oficial mostrando dois negros assaltando um branco. Isso mesmo. Com dinheiro público, o governo conseguiu reforçar estereótipos e constranger o próprio Estado. Resultado: repercussão nacional, vídeo deletado e nota oficial tentando limpar o desastre.
Segundo a Secom: “O intuito nunca foi gerar polêmica”. Pois é… mas gerou polêmica, vergonha e revolta.
O curioso é que, se o governo queria divulgar um programa de recuperação de celulares roubados, acabou mesmo foi roubando a paciência do povo.
A produção parecia coisa de amador: roteiro infeliz, direção cega e revisão inexistente. E o pior — passou por todas as instâncias até chegar à página oficial do governador. Ou seja: ninguém percebeu o absurdo antes de postar.
Quando o vídeo caiu na rede, o estrago já estava feito. E o discurso do “não foi intencional” soou como desculpa ensaiada. Porque, sejamos francos: quem aprova uma peça dessas deveria ser demitido no mesmo minuto.
Mas no Piauí, parece que a regra é outra: errar com o dinheiro público não dá punição — dá explicação mal dada.
Comunicação pública não é palco para vaidades. É instrumento de cidadania. Cada campanha, cada peça, cada centavo gasto deve respeitar a inteligência e a sensibilidade da população. Mas a Secom preferiu investir em autopromoção disfarçada de serviço público — e o resultado é o que estamos vendo: dinheiro no ralo e reputação no chão.
O povo piauiense é inteligente, sensato e trabalhador. Não precisa que o governo lhe “explique” o que está vendo com os próprios olhos. O que o povo quer é respeito, clareza e responsabilidade — não uma propaganda que parece mais uma aula de como não comunicar.
Talvez seja hora de o governador rever sua equipe e perguntar: “Estamos informando ou apenas gastando?”.
Porque se o objetivo era “comunicar”, parabéns: comunicaram perfeitamente o que não deveriam — a falta de gestão, de sensibilidade e de bom senso.
E a mídia local, o que falou sobre esses absurdos? Bem… a mídia piauiense é muito bem paga apenas para divulgar, jamais para questionar. Afinal, quando os cofres públicos bancam a propaganda, o silêncio vira estratégia e a crítica, um artigo de luxo. No Piauí, boa parte da imprensa parece ter trocado o papel fiscalizador por um tapete vermelho — estendido ao governo em troca de verbas publicitárias.
No fim das contas, a Secom conseguiu algo raro: transformar o termo “campanha institucional” em sinônimo de “constrangimento público nacional”.
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