
Um novo estudo publicado no Journal of Archaeological Science confirmou o que há muito tempo intrigava arqueólogos e curiosos: os moais, as enormes estátuas de pedra da Ilha de Páscoa, eram movidos em pé, balançando de um lado para o outro com a ajuda de cordas e coordenação humana — não por meios sobrenaturais.
Com base em 962 estátuas analisadas, modelagens em 3D e experimentos de campo, pesquisadores mostraram que era possível fazer um moai de mais de quatro toneladas “andar” 100 metros em apenas 40 minutos — com 18 pessoas e três grupos puxando cordas sincronizadas.
Os cientistas perceberam que os moais ainda “no caminho” — aqueles que não chegaram às plataformas cerimoniais — tinham bases largas em forma de D e uma inclinação para frente.
Esses detalhes estruturais criavam uma leve instabilidade que, quando controlada, permitia balançar a estátua para os lados, fazendo-a “caminhar” verticalmente.
A inclinação ideal, segundo o estudo, ficava entre 5° e 15° — suficiente para dar movimento, sem derrubar o moai.
As antigas estradas da ilha, antes vistas apenas como rotas sagradas, agora revelam outro propósito: foram preparadas para o transporte dos moais.
Trechos côncavos, nivelamentos e curvas suaves indicam que os Rapa Nui projetaram essas vias para facilitar o movimento controlado das estátuas. Era engenharia planejada, não improviso — muito menos magia.
Para testar a hipótese, os pesquisadores construíram uma réplica fiel com base nas medidas originais e repetiram o processo: três grupos, cordas nas laterais e um atrás, puxando em sincronia — “direita, esquerda, segura”.
O resultado impressionou: o moai de 4,35 toneladas “andou” em pé.
O movimento lembra um “moonwalk” de pedra: inclina, puxa, apoia, repete.
Essa ideia não é totalmente inédita — em 2012, o mesmo pesquisador, Carl P. Lipo, já havia feito uma demonstração semelhante.
A diferença agora está na quantidade e robustez das evidências: centenas de estátuas medidas, modelagem tridimensional detalhada e experimentos replicáveis.
Ou seja, não é mais uma hipótese curiosa: é o modelo mais consistente até hoje sobre como os moais foram transportados.
Arrastar deitado em troncos: exigiria madeira (escassa na ilha), muito mais gente e deixaria marcas diferentes no solo.
Teorias místicas ou alienígenas: as evidências mostram que engenharia, física e coordenação humana explicam tudo.
Com cerca de 900 a 1.000 moais conhecidos, o novo estudo devolve o crédito aos verdadeiros autores dessa façanha: o povo Rapa Nui.
Eles desenvolveram soluções engenhosas e sustentáveis, usando apenas os recursos locais.
Agora, a tradição oral que dizia que “os moais andavam” ganha base científica — a sabedoria ancestral se confirma pela ciência moderna.
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