
Ninguém tem mais o que esclarecer sobre o rombo nas contas da Prefeitura de Teresina do que o próprio ex-prefeito José Pessoa Leal, o Dr. Pessoa. Afinal, embora não fosse o ordenador direto das despesas, era o gestor máximo da administração municipal — e, portanto, tinha o dever de acompanhar os projetos, fiscalizar gastos e cobrar resultados.
Se houve “danação”, como ele mesmo costuma dizer, foi porque não acompanhou de perto. Se houve “traquinagem”, o problema está no desleixo e na falta de controle da própria gestão. Por isso, é justo e necessário que Dr. Pessoa seja ouvido.
Afinal, quem não deve, não teme.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o déficit bilionário nas contas da Prefeitura aprovou, nesta terça-feira (07), a convocação do ex-prefeito Dr. Pessoa para prestar depoimento.
A reunião contou com quatro membros. Os vereadores Dudu (PT) e Fernando Lima (PDT) votaram a favor da convocação, enquanto Juca Alves (PRD) e Luís André (PL) foram contrários.
Com o empate, o voto de minerva do relator, Fernando Lima, confirmou a convocação. A oitiva deve ocorrer na próxima semana e promete ser um dos momentos mais aguardados da CPI.
A comissão investiga a origem do déficit que ultrapassa R$ 4 bilhões deixado pela gestão anterior. Desde o início do governo, o atual prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) vem denunciando descontrole fiscal, dívidas acumuladas e obras paralisadas.
A presença de Dr. Pessoa na Câmara será a oportunidade para esclarecer onde e como o dinheiro público foi parar — e se a crise financeira é resultado de má gestão, omissão ou corrupção.
A convocação do ex-prefeito é vista como um teste de transparência e um divisor de águas na política teresinense. Caso compareça, Dr. Pessoa poderá defender sua administração e apresentar sua versão dos fatos.
Mas se optar por não comparecer, o gesto será interpretado como fuga política — e aumentará a pressão pública sobre sua responsabilidade no rombo histórico das contas municipais.
Chegou a hora de Dr. Pessoa explicar o inexplicável. O gestor que se elegeu com o discurso da moralidade e da simplicidade agora terá que encarar a CPI e justificar o caos financeiro que deixou para trás.
A cidade quer respostas. E a Câmara, ao menos desta vez, parece disposta a cobrá-las.
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