
É inacreditável a tolerância seletiva das pessoas diante de certos acontecimentos. A falta de conhecimento histórico, a ausência de educação sólida e a incapacidade de raciocinar com lógica degradam a percepção coletiva a tal ponto que se passa a valorizar apenas aquilo que a narrativa dominante impõe, enquanto se despreza — ou silencia — diante de outros fatos igualmente ou até mais execráveis.
É comum ver amigos repetirem críticas a Trump, a Bolsonaro, a Israel, como se fosse um mantra automático, ditado pela cartilha da mídia e das redes sociais. Entretanto, quando a violência atinge esses mesmos alvos — a facada em Bolsonaro, os tiros contra Trump, o atentado covarde contra cidadãos judeus desarmados — o silêncio ensurdecedor toma conta. Ninguém abre a boca para condenar, como se a brutalidade fosse aceitável quando dirigida contra aqueles que não agradam ao consenso ideológico.
Esse duplo padrão não nasce apenas da ignorância popular. Ele é explorado e amplificado pelo oportunismo político. Sangue virou combustível eleitoral. Não é raro ver políticos transformarem em palanque a tragédia de adversários, convertendo em votos o sofrimento alheio, enquanto escondem os cadáveres de sua própria história. Basta lembrar de Toninho do PT, prefeito de Campinas, assassinado em 2001, ou de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, morto em circunstâncias até hoje envoltas em mistério. Essas mortes foram varridas para debaixo do tapete pela mesma militância que hoje chora lágrimas seletivas, conforme a conveniência.
E o mesmo se vê no cenário internacional. O assassinato do ativista conservador americano Charlie Kirk, pai adorado por seus filhos, além de marido exemplar, foi recebido com um silêncio cúmplice por parte da chamada esquerda “progressista”. Em vez de indignação, o que se viu foi relativização, piada e até celebração velada nas redes. A tragédia de um homem que dedicou sua vida à defesa de valores conservadores foi transformada em nada mais que ruído incômodo, porque não servia ao discurso dominante.
Trata-se, portanto, de algo ainda mais grave do que a manipulação das massas: é a institucionalização da hipocrisia. A sociedade, incapaz de raciocinar com independência, acostuma-se a condenar ou absolver não pelos fatos, mas pelo cálculo político. E essa seletividade é perigosa: normaliza a violência contra uns, enquanto mascara a violência contra outros.
Mais do que uma questão de opinião, trata-se de um colapso de valores. Quando a educação falha, a mente se acomoda em slogans. Quando a ignorância impera, o debate vira torcida. Quando a lógica desaparece, o ser humano perde a capacidade de enxergar a barbárie em sua totalidade — só reconhece como crime aquilo que lhe mandam rotular como crime. E quando a política se alimenta disso, transforma o sangue em moeda eleitoral.
Esse é o maior perigo da sociedade atual: não é apenas a violência em si, mas a passividade diante dela, seletivamente aceita ou condenada conforme interesses ideológicos. A barbárie deixou de ser condenada por princípio; tornou-se apenas mais uma ferramenta de manipulação.
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