
O Atlantic Council, um dos think tanks mais influentes dos EUA, premiou Javier Milei por suas reformas econômicas radicais na Argentina. O discurso de Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, deixou claro o motivo: enxugamento da máquina pública, combate à burocracia e defesa da propriedade privada. O prêmio coloca Milei ao lado de figuras globais como Emmanuel Macron e Gianni Infantino.
O prêmio não é apenas simbólico. Ele é uma chancela da elite política e financeira dos EUA, uma espécie de selo internacional de credibilidade. Milei não é apenas visto como um governante reformista em seu país, mas como um modelo liberal para o continente.
A homenagem tem um peso político imenso. Primeiro, porque mostra que Washington vê Milei como aliado estratégico contra o avanço da esquerda latino-americana. Segundo, porque reforça o papel da Argentina como exemplo de choque liberal em uma região ainda marcada por governos intervencionistas.
Aqui mora a provocação. O contraste entre Milei e Lula é brutal:
Enquanto o argentino corta gastos e desmonta estatais deficitárias, o governo brasileiro amplia despesas e aposta em maior intervenção estatal.
Enquanto Milei se aproxima dos EUA, Lula se aproxima de regimes como Venezuela, Cuba e até Irã.
Esse contraponto pode criar reflexos diretos na política interna brasileira, fortalecendo opositores que defendem um “caminho Milei” para o Brasil.
O prêmio também deve ser lido como um recado de Washington: premiar Milei é premiar um alinhamento automático aos EUA e ao Ocidente liberal. É um gesto que fortalece a imagem do argentino como um "Trump do Sul" — ainda mais às vésperas das eleições americanas.
Vale lembrar: o Atlantic Council foi acusado de atuar em parceria com a Usaid em processos de monitoramento e suposta censura de conservadores nas eleições brasileiras de 2022. Isso gera desconfiança sobre a neutralidade da homenagem, levantando a pergunta: será reconhecimento genuíno ou alinhamento político interessado?
Dentro da Argentina, Milei volta com capital político reforçado. O prêmio em Nova York é munição para sustentar sua narrativa de que as reformas — ainda dolorosas para parte da população — são vistas pelo mundo como caminho de sucesso.
O prêmio do Atlantic Council a Milei é mais do que uma homenagem: é um marco na disputa de modelos para a América Latina. De um lado, o populismo de esquerda que ainda domina parte da região. Do outro, o choque liberal que Milei encarna. O Brasil, governado por Lula, está no meio dessa encruzilhada — e não pode ignorar o impacto do “fenômeno Milei” na sua própria política e economia.
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