
O governo do Piauí comemora a aprovação de mais um empréstimo bilionário, desta vez de R$ 2,9 bilhões com o Banco do Brasil. A operação, batizada de ProMais, foi apresentada como uma oportunidade histórica para investir em saúde, infraestrutura, mobilidade e segurança pública. Mas por trás dos discursos otimistas, esconde-se uma realidade sombria: o Estado caminha para um colapso financeiro sem precedentes.
A verdade é que não estamos falando de investimento novo, mas de dívida adicional. Só nesta gestão, Rafael Fonteles já contraiu ou solicitou empréstimos que podem ultrapassar R$ 13 bilhões. Em abril de 2025, por exemplo, foi encaminhado à Alepi um pedido de R$ 5,8 bilhões em crédito. Antes disso, já havia R$ 8 bilhões em operações confirmadas. No mês seguinte, em maio, o governador sancionou leis que autorizaram R$ 11,6 bilhões em financiamentos, incluindo recursos internacionais do BID.
Esse cenário levanta questões graves. De onde virá o dinheiro para pagar essa montanha de dívidas? O Piauí já enfrenta dificuldades para honrar operações passadas, herdadas inclusive de gestões anteriores. Agora, com mais compromissos assumidos, o risco é de que o Estado entre em um ciclo vicioso de rolagem da dívida, pagando juros com novos empréstimos, enquanto a população continua sem ver melhorias concretas.
O discurso oficial afirma que esses recursos são indispensáveis para modernizar o Estado e acelerar o desenvolvimento. Mas há um detalhe: empréstimos não são dinheiro “a fundo perdido”, eles precisam ser pagos com correção monetária, juros e garantias. Isso significa que cada centavo retirado hoje será cobrado amanhã — com ainda mais peso — dos cofres públicos e, inevitavelmente, do bolso do contribuinte.
A sociedade precisa refletir: de que adianta “investir” bilhões se o Estado se torna insolvente? O problema não é apenas de Rafael Fonteles, mas de todos os piauienses. Essa dívida, contraída em nome de promessas grandiosas, ficará como herança maldita para os próximos governos, que encontrarão uma máquina pública sufocada e sem capacidade de investir em nada além do pagamento das parcelas.
Além disso, há um risco político e social. Quando um governo se apoia excessivamente em crédito externo ou nacional, perde autonomia e se torna refém das instituições financeiras. O poder de decisão sobre o futuro do Estado passa a estar condicionado à renegociação de dívidas e ao bom humor do sistema bancário, que jamais perde, mesmo quando o povo perde tudo.
É importante lembrar que parte da Assembleia Legislativa tem alertado para os perigos dessa política. Deputados como Gustavo Neiva votaram contra, citando o alto custo dos juros no Brasil. Outros, como Hélio Isaías, justificam os empréstimos como mera renegociação herdada de Wellington Dias. Mas, entre justificativas e críticas, o fato objetivo permanece: o endividamento cresce em proporções alarmantes.
A narrativa otimista do governo é sedutora, mas perigosa. “Modernização fiscal”, “transformação digital”, “mobilidade urbana” e “infraestrutura” são palavras que soam bem, mas escondem o peso da fatura que chegará em alguns anos. O Estado que hoje se apresenta como visionário pode, em pouco tempo, se tornar um gigante endividado e incapaz de se mover.
O Piauí não precisa de mais dívidas disfarçadas de investimento. Precisa de responsabilidade fiscal, gestão eficiente e projetos sustentáveis que não comprometam as próximas gerações. Caso contrário, a pergunta que ecoará será inevitável: vale a pena hipotecar o futuro por um presente que nunca chega?
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