
O Brasil registrou em 2024 uma queda de 3,9% no valor da produção agrícola em relação ao ano anterior, somando R$ 783,2 bilhões. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (11) pelo IBGE. Mesmo com aumento de 0,8% na área colhida, a produção de grãos como cereais, leguminosas e oleaginosas recuou 7,5%, totalizando 292,5 milhões de toneladas.
A redução foi causada principalmente pela queda nos preços e na colheita da soja e do milho, que são as duas culturas mais importantes do país. A retomada da produção argentina e o desaquecimento do consumo global pressionaram ainda mais os valores. Para o IBGE, esse conjunto de fatores resultou no segundo ano seguido de retração na renda do campo brasileiro.
Outro ponto negativo foi a influência do fenômeno climático El Niño, que trouxe estiagem prolongada em regiões como Centro-Oeste, Sudeste, Norte e parte do Paraná. Isso afetou diretamente a produtividade das lavouras, em especial de verão. A soja recuou 5% e o milho 12,9% em volume produzido, além de sofrerem forte desvalorização nos mercados internacionais.
Apesar do cenário difícil, alguns setores conseguiram bons resultados. O café cresceu 58,1% em valor, o cacau disparou 229% e o arroz avançou 25,7%. O algodão bateu recorde de produção e consolidou o Brasil como o maior exportador mundial. Já a fruticultura teve alta de 21% em valor, puxada por laranja, banana e uva — mesmo com a queda de 11% no rendimento dos pomares de laranja afetados pelo greening.
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