
A atuação de flanelinhas em Teresina voltou a ganhar destaque após um caso ocorrido no bairro Piçarra, Zona Sul da capital, quando uma idosa teve o celular furtado no momento em que procurava dinheiro para pagar um guardador de carro. O suspeito, já monitorado por tornozeleira eletrônica, foi preso horas depois pela Polícia Civil, que recuperou o aparelho avaliado em mais de R$ 5 mil. O episódio, porém, escancara um problema antigo e recorrente na cidade: a sensação de insegurança gerada por uma atividade que, embora considerada meio de sustento por muitos, frequentemente resulta em constrangimentos, abusos e até crimes.
Diante dessa realidade, o vereador Petrus Evelyn (PP) decidiu enfrentar o tema e apresentou um projeto de lei para proibir a atuação dos flanelinhas nas vias públicas da capital. A proposta previa multa de R$ 800, fiscalização por guardas municipais e agentes da STRANS, além da criação de um programa de capacitação e requalificação profissional para que os atuais guardadores de veículos tivessem alternativas de emprego. A justificativa de Petrus era clara: “não se pode ignorar as práticas abusivas frequentemente associadas a essa ocupação, que geram insegurança e constrangimento para motoristas, especialmente mulheres”.
No entanto, ao chegar ao plenário da Câmara Municipal, a iniciativa foi rejeitada pela maioria. O relator, vereador Roncalin (PRD), defendeu não a proibição, mas a regulamentação da atividade, com cadastro, identificação por crachá e limites de cobrança. Para ele, “era uma faca de dois gumes”, já que milhares de pessoas dependem da função para sobreviver. O argumento da liberdade econômica acabou prevalecendo sobre a pauta da segurança, frustrando o autor do projeto.
“Lamentável”, resumiu Petrus Evelyn após a derrota, ressaltando que a proposta tinha foco na proteção de mulheres, idosos e motoristas mais vulneráveis. Assim, o único parlamentar a levantar a bandeira da segurança pública diante desse problema acabou vencido pela maioria, e a população de Teresina, assim como de tantas outras cidades brasileiras, segue exposta à insegurança e à falta de ação efetiva dos representantes que deveriam proteger os cidadãos.
Até quando?
DEGRADAÇÃO TOTAL? Desordenamento moral?
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