
Mais uma vez, o governador Rafael Fonteles, do PT, encontra-se na China. Fujian, para ser mais exato. É a terceira visita em menos de três anos de mandato. E, como sempre, o roteiro e a justificativa são os mesmo: encontros protocolares, discursos sobre “parcerias estratégicas”, fotos cuidadosamente produzidas e o retorno ao Piauí sem absolutamente nada de concreto para o povo.
O curioso é que o Estado já mantém um escritório oficial em Xiamen, com estrutura e equipe custeada pelo contribuinte. Então, fica a pergunta: para que serve esse escritório se o governador precisa estar constantemente na China para repetir as mesmas conversas? Ou esse escritório é um enfeite caro, ou Rafael Fonteles não confia nem na própria estrutura criada pelo seu governo.
E não para por aí. O governador resolveu colecionar escritórios mundo afora. Abriu representação até na Estônia. Sim, na Estônia, um país que a maioria dos piauienses talvez nunca sequer tenha ouvido falar. Um espaço de coworking em Taillin, foi inaugurado em abril de 2023 pela Agência de Atração de Investimentos Estratégicos do Piauí (Investe Piauí) com o objetivo de promover a troca de conhecimentos em governança digital e estimular investimentos, especialmente em energias renováveis e tecnologia, com foco no hidrogênio verde.
E qual foi o retorno prático disso? Zero. Nenhum investimento, nenhum projeto relevante, nenhuma geração de emprego. Só mais uma placa na parede e mais uma nota na imprensa. Aliás, a imprensa do Piauí adora divulgar os "acordos" e "protocolos de intenções" de Rafael Fonteles pelo mundo afora.
Enquanto Rafael passeia pelo planeta, o Piauí continua atolado nos mesmos problemas de sempre: estradas esburacadas, pontes caídas, hospitais sem estrutura, segurança precária e uma carga tributária sufocante para quem ousa empreender. O Estado está endividado até o pescoço, vivendo de empréstimos sucessivos, e a solução encontrada pelo “governador jovem e moderno” foi aumentar impostos e criar taxas novas.
As grandes promessas de campanha, que empolgaram muita gente, já se esvaíram no ar. O famoso Porto Piauí não passa de um cais de 150 metros no Rio Igaraçu com algumas cabeças de amarração. O hidrogênio verde perdeu a cor antes mesmo de sair do papel. Ferrovia e hidrovia continuam como sonhos distantes, sem nenhuma perspectiva de virar realidade. Mas em compensação, a agenda internacional de Rafael Fonteles vai de vento em popa.
É impossível não enxergar ironia nisso tudo. O governador que se apresentava como um gestor técnico, conhecedor de números e especialista em finanças, parece ter perdido a conta de quantas vezes já embarcou para o exterior. Se a governança fosse medida em milhas aéreas, o Piauí estaria entre as potências mundiais.
E o discurso da “internacionalização do Piauí” já soa como deboche. O que de fato chegou ao Estado até agora? Fotografia de reuniões. Sorrisos diplomáticos. Memorandos de intenções que não passam de papel. É como o famoso “acordo de Oeiras”: muito barulho e nenhuma consequência prática.
Não se trata de ser contra viagens ou articulações internacionais. Todo governador sério precisa abrir caminhos, buscar parcerias, atrair investimentos. Mas até quando vamos aceitar que Rafael Fonteles se comporte mais como um turista oficial do que como gestor público? Até quando o piauiense vai financiar esse festival de viagens sem retorno algum?
Se a lógica não mudar, Rafael será lembrado como o governador que transformou o mundo em sua sala de reuniões — mas deixou o Piauí na mesma sala de espera de sempre. E o povo, cansado de promessas, continuará vendo navios. Aliás, nem isso, porque o tal Porto Piauí ainda nem existe.
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