
Os Correios, uma das estatais mais tradicionais do país, estão mergulhados em uma crise sem precedentes. O que já foi sinônimo de eficiência no serviço público e orgulho nacional, hoje amarga um rombo de R$ 7,5 bilhões em apenas dois anos e meio. Esse desastre financeiro tem nome e sobrenome: Fabiano Silva dos Santos, apelidado de “churrasqueiro de Lula”, que assumiu a presidência da estatal em agosto de 2023 e deixou o cargo em agosto de 2025 deixando para trás uma terra arrasada.
O contraste é gritante. Entre 2017 e 2021, os Correios chegaram a registrar lucros históricos — inclusive R$ 2,3 bilhões em 2021, impulsionados pelo aumento das compras online durante a pandemia. No último ano de Jair Bolsonaro, mesmo em meio às dificuldades econômicas, o prejuízo foi de R$ 768 milhões, valor muito abaixo do que vemos hoje. Mas a partir da volta do PT ao poder, a estatal entrou em rota de colapso: R$ 597 milhões de prejuízo em 2023 e um salto para mais de R$ 4 bilhões só no primeiro semestre de 2025.
Esse rombo não é apenas um número. Ele supera três vezes o orçamento do Ministério do Esporte de 2024, é maior que os R$ 4 bilhões destinados ao programa Farmácia Popular em 2025 e até excede o valor anual gasto com o Auxílio Gás, que beneficia famílias em situação de vulnerabilidade. Em outras palavras: o buraco nos Correios poderia financiar políticas sociais inteiras, mas em vez disso, alimenta o fracasso administrativo e o uso político da máquina pública.
A situação expõe a face mais perversa do loteamento político das estatais. Fabiano não era um gestor preparado, mas sim um apadrinhado do governo — daí o apelido irônico de “churrasqueiro de Lula”. Sua gestão desastrosa transformou os Correios num símbolo de ineficiência e desperdício. Agora, com sua saída, partidos como o União Brasil disputam o controle da estatal como se fosse um feudo, reforçando a lógica do aparelhamento político que corrói o serviço público.
O Senado, por meio da Comissão de Transparência e Fiscalização, aprovou uma investigação para apurar as irregularidades. O relator, senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), classificou as denúncias como “gravíssimas”. Do outro lado, parlamentares ligados ao PT tentam abafar a apuração, numa clara demonstração de que a prioridade não é salvar os Correios, mas proteger aliados.
O colapso da estatal é um retrato do Brasil atual: um país que insiste em manter estruturas arcaicas sob o domínio de interesses partidários, sacrificando eficiência, competitividade e o próprio dinheiro do contribuinte. A pergunta que fica é: até quando o brasileiro vai tolerar que empresas públicas sejam tratadas como cabides de emprego e moeda de troca política?
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