
Na Bahia, maior produtora de cacau do país, o fruto deixou de ser apenas matéria-prima do chocolate para se transformar em ingrediente de geleias, licores, drinks e até cosméticos. A agricultora familiar Valdeci dos Santos, de 65 anos, criou a marca Cacau Nobreza, que oferece produtos como melaço, geleia e nibs, além do chocolate embalado em folhas de cacaueiro. A iniciativa nasceu durante a pandemia, quando ela buscou alternativas para diversificar a renda da família.
A aposta na inovação é também defendida pela Coopermata (Cooperativa Cacau Mata Atlântica da Bahia), que reúne mais de 300 famílias produtoras no Baixo Sul do estado. Segundo o diretor executivo, Josué Jesus, a proposta é “verticalizar a produção”, ou seja, valorizar não apenas a amêndoa, mas também os subprodutos do cacau. Hoje, a cooperativa comercializa chocolates, mel de cacau, cocadas e até um chá à base do fruto, além de investir no registro de novos produtos.
No setor de beleza, a versatilidade do cacau também abre caminhos. O químico Fábio Neves fundou a Cacaus Biocosmetics, primeira empresa do mundo a desenvolver cosméticos a partir de resíduos do fruto. A marca já recebeu mais de R$ 1 milhão em investimentos e produz hidratantes, sabonetes, xampus e velas aromáticas, todos elaborados com bioativos extraídos do mel e da casca do cacau.
Apesar do potencial, os empreendedores enfrentam o desafio de competir com grandes indústrias e conquistar o consumidor. Eventos como a Expocacau, realizada em Ilhéus, têm sido importantes para apresentar os produtos, destacar seus diferenciais e aproximar o público das histórias dos produtores locais, que transformam o cacau em símbolo de inovação e sustentabilidade.
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