
Em novembro de 1891, o Brasil presenciou um marco histórico pouco lembrado: a chegada do primeiro automóvel ao país. O responsável por essa façanha foi Alberto Santos Dumont, então com apenas 18 anos. Muito antes de ganhar fama internacional como “pai da aviação”, Dumont já demonstrava sua inquietude e curiosidade científica ao importar da França um Peugeot Type 3 Vis-à-Vis, modelo que revolucionava a mobilidade urbana na Europa.
O carro, equipado com um motor de dois cilindros em “V” de 565 cm³ e potência aproximada de 3,5 cavalos, podia alcançar até 18 km/h — uma velocidade impressionante para os padrões da época. Tinha câmbio de quatro marchas e carroceria para quatro ocupantes, sendo considerado um verdadeiro luxo tecnológico no final do século XIX. O veículo desembarcou no porto de Santos e chamou atenção por ser algo completamente inédito nas ruas brasileiras.
Mais do que dirigir, Santos Dumont estudava minuciosamente cada detalhe da máquina. Fascinado pela mecânica, desmontava e remontava o motor, absorvendo conhecimentos que mais tarde seriam úteis em sua carreira de inventor. Essa experiência direta com o automóvel ajudou a formar a base de seu pensamento técnico, que anos depois resultaria na construção de balões dirigíveis e, finalmente, no icônico 14-Bis, com o qual realizou o primeiro voo homologado da história em 1906, em Paris.
Embora tenha trazido o primeiro carro ao Brasil, Dumont não foi o primeiro a emplacar um veículo oficialmente. Isso só aconteceu anos depois, já em 1903. Ainda assim, o feito confirma seu espírito pioneiro e sua condição de homem à frente de seu tempo.
Vale destacar que o primeiro automóvel fabricado em série no Brasil só surgiria em 1956, com o simpático Romi-Isetta, produzido em Santa Bárbara d’Oeste (SP). Ou seja, Santos Dumont introduziu a tecnologia automotiva no país mais de 60 anos antes da produção nacional.
Esse episódio pouco conhecido da vida do inventor mostra que sua genialidade não se limitava ao ar. Santos Dumont foi, acima de tudo, um entusiasta da ciência e da inovação, capaz de enxergar além do presente. Assim como fez nos céus, também deixou sua marca nas estradas brasileiras, consolidando seu nome não apenas como um dos maiores inventores da aviação, mas como um visionário completo.
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