
O sol da manhã parecia tímido nesta quinta-feira (28), refletindo a dor que se espalhava pelas ruas de Parnaíba, no litoral do Piauí. Em um clima de comoção e incredulidade, a cidade se despediu do vereador Thiciano Ribeiro, assassinado a tiros pelo guarda municipal Francisco Fernando de Oliveira Castro, que também matou a comandante da Guarda Civil Municipal de Parnaíba, Penélope Brito, na manhã da quarta-feira (27). Um duplo homicídio ocorrido na capital, mas que chocou o litoral do Piauí e expôs, de forma brutal, a face mais cruel do machismo e da violência armada.
O velório de Thiciano ocorreu na Funerária Funeral Prev, enquanto Penélope foi velada na Funerária Pax União, ambas na Avenida Álvaro Mendes, no bairro Nova Parnaíba. Entre familiares, amigos, colegas de Câmara e cidadãos comuns, a dor se misturava à revolta. O cortejo fúnebre percorreu a cidade, acompanhado por carros de familiares, amigos, viaturas da polícia e do Corpo de Bombeiros, um sinal de que a tragédia não passou despercebida.
“Infelizmente é uma perda irreparável. Perdemos nosso amigo Thiciano, ficamos muito tristes porque Parnaíba perdeu muito. Ele passou pouco tempo como parlamentar, mas já vinha contribuindo muito para a nossa sociedade”, disse o vereador Francisco Bigode, refletindo o sentimento de toda a cidade.
O crime é um retrato amargo da realidade: o feminicídio de Penélope não é um caso isolado, é uma expressão da violência que mata mulheres, destrói famílias e deixa crianças órfãs. Edcarlos Gouveia, vereador que esteve no velório, resumiu:
“Sabemos que o feminicídio é um crime anunciado. Thiciano chegou à Câmara há cerca de quatro meses e já apresentava projetos importantes. Penélope era uma jovem secretária, chefe da guarda, mãe e filha dedicada. É um crime brutal que abalou toda a nossa cidade”.
Enquanto a polícia trabalha para a investigação e a Justiça define os próximos passos, fica o peso do impacto: duas vidas interrompidas, duas crianças órfãs, famílias destruídas e uma sociedade forçada a encarar que, mesmo diante de leis e políticas de proteção, o machismo armado segue ceifando vidas.
Parnaíba, uma cidade que hoje chora, será lembrada não apenas pelo luto, mas pelo chamado urgente à reflexão sobre a violência que mata mulheres e homens, sobre a necessidade de políticas de prevenção e justiça eficaz.
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